«Sá Fernandes quer eólicas em Lisboa» criar PDF versão para impressão
14-Mar-2008
Bernardino ArandaO título deste artigo foi a chamada de primeira página do jornal Expresso desta semana.
Não é todas as semanas que um Vereador do Bloco aparece com tanto destaque naquele Semanário. No entanto, a notícia, parecia ter como principal objectivo descredibilizar uma proposta que visa pôr as energias renováveis na agenda política do município.

A primeira frase da notícia dava o mote: "Já imaginou a cidade das sete colinas povoada por turbinas com a altura de quatro andares?"

Depois continuava: "A reacção da oposição é ciclónica".

O PSD, como sempre, é o mais demagógico. Diz que "falta um estudo de enquadramento urbanístico e uma estimativa custo-benefício", que é das tais coisas que soa bem mas que ninguém sabe muito bem o que será ao certo.

Carmona é mais virado para o lado prático e dá um exemplo concreto: "com a substituição de 1500 lâmpadas de 60 watts, por lâmpadas de 20 watts de baixo consumo, consegue-se uma poupança superior à produção conseguida com as 25 turbinas". São contas que ninguém confirmou, mas que se fossem correctas, queriam apenas dizer que se substituísse 3000 lâmpadas, conseguia-se uma poupança ainda superior... Mas isto não é um grande argumento contra as eólicas...

O PCP - mais técnico - diz que falta um estudo de impacto ambiental e adianta logo que "a velocidade das pás a um máximo de 325 rpm (rotações por minuto) provoca tal ruído que desnorteia o sistema de orientação dos morcegos". "Em alguns casos estudados, deu-se o completo desaparecimento da espécie".

Finalmente, Helena Roseta, peremptória, como sempre: "não tem qualquer sustentação. Nem as localizações das torres estão correctas, nem os objectivos estão definidos, nem nós podemos imaginar Lisboa semeada por moinhos de vento".

Apesar dos estilos diferentes, a verdade é que todas estas críticas têm um ponto em comum: Ninguém leu a proposta e todos confundiram as turbinas em causa - turbinas urbanas, de pequeno porte, que não serão mais altas ou terão mais impacto do que um candeeiro de iluminação pública - com aquelas outras, gigantes, que se vêem da A8, quando vamos comer uma sardinhada a Peniche.

É no entanto uma proposta nova e arrojada, claro.

A verdade é que a capital do país tem hoje, de facto, um Vereador do Ambiente e não um Vereador que, entre vários pelouros, tem também a responsabilidade de tratar dos jardins.

A "pasta" do ambiente ganhou como que um novo estatuto e está a conquistar a centralidade que deve ter cada vez mais na cidade: No tratamento dos jardins e parques, como sempre teve, mas também na sensibilização e educação ecológica; no planeamento e urbanismo; na revitalização de bairros e escolas e - claro! - na promoção da utilização de energias renováveis em Lisboa. 

Bernardino Aranda

 
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