Suspender a avaliação para defender a escola pública criar PDF versão para impressão
01-Abr-2008
João MadeiraExigimos a suspensão deste modelo de avaliação que tem sido factor de perturbação nas escolas...
Este é um combate para hoje. Escola a escola, sem dúvida, onde é preciso na prática suspender o processo, como foi feito em Montemor-o-Velho, nos agrupamentos de escolas de Coimbra, em Setúbal, em Barcelos, multiplicando e generalizando os exemplos. Mas saindo da escola, em assembleias, debates e reuniões públicas; na rua, inevitavelmente na rua.

À crise na educação aberta por este Governo que se diz socialista, responderam os professores da maneira que sabemos - cem mil na rua, desfilando, manifestando a sua indignação pela forma como têm sido tratados e em defesa da escola pública.

É verdade que a forma como o governo quer que os professores sejam avaliados tem estado no centro dos problemas, que os professores rejeitam pela carga burocrática que acarreta, enleado em critérios absolutamente duvidosos, desde o "sucesso" que cada um possa ter com os alunos à fidelidade às políticas do Governo.

A ministra e os seus secretários de estado perderam a razão e a cabeça. Querem impor de qualquer maneira esta avaliação, nem que seja em meia dúzia de escolas, continuando a dividir entre professores titulares e não titulares, chantageando os de vínculo mais frágil às escolas, os contratados, sob o espectro de não poderem concorrer se não forem avaliados.

O secretário Pedreira descaiu-se inclusivamente com os verdadeiros objectivos desta avaliação - introduzir elementos de bloqueamento e retenção de modo a que progridam mais lentamente na sua carreira, contendo assim a massa salarial dos professores. Isto é, mais um mecanismo à nossa custa para conter o défice. No meio de tudo isto, a requalificação educativa interessa-lhes pouco, porque escola pública lhes interessa pouco.

Exigimos a suspensão deste modelo de avaliação que tem sido factor de perturbação nas escolas, afectando as actividades lectivas e pervertendo completamente o que deve ser uma avaliação séria, responsável e rigorosa da escola pública.

Este é um combate para hoje. Escola a escola, sem dúvida, onde é preciso na prática suspender o processo, como foi feito em Montemor-o-Velho, nos agrupamentos de escolas de Coimbra, em Setúbal, em Barcelos, multiplicando e generalizando os exemplos. Mas saindo da escola, em assembleias, debates e reuniões públicas; na rua, inevitavelmente na rua, em concentrações e manifestações, vigílias fazendo ouvir a nossa voz e continuando a dar corpo colectivo ao nosso protesto. Indo mais longe se for preciso.

Sócrates pode querer sonhar com arengas futuras de modernidade porque conseguiu avaliar os professores, mas não o pode fazer à custa da destruição da escola pública.

É na escola que a avaliação se deve centrar, como unidade fundamental, para aumentar a qualidade educativa, combater o insucesso e o abandono escolar, promover o desenvolvimento profissional dos docentes, melhorar a qualidade de ensino num contexto democrático e em ambientes propiciadores das aprendizagens, caminhos por onde também passa afinal a refundação a escola pública.

João Madeira

 
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