“Luta de Classes” no sector público não é contra o povo criar PDF versão para impressão
04-Abr-2008
Ao contrário do que afirmou Vital Moreira no jornal Público do dia 18, a "Luta de Classes" no sector público... Não se trata, como procura insinuar o professor universitário, de uma luta contra o povo, que na verdade devia ser destinatário de serviços públicos de qualidade como contribuintes que são.
Opinião de José Lopes

Ao contrário do que afirmou Vital Moreira no jornal Público do dia 18, a "Luta de Classes" no sector público, que se começa agora a desenhar nos locais de trabalho e não só na rua em que era mais visível, e que bem pode vir a afirmar-se com maior intensidade face ao tipo de relações laborais que a instigam e despertam num sector por natureza de serviço, de causas e por isso de colaboração dada a finalidade dos serviços públicos. Não se trata, como procura insinuar o professor universitário, de uma luta contra o povo, que na verdade devia ser destinatário de serviços públicos de qualidade como contribuintes que são.

A indiferença ou a hostilidade da população às lutas do sector público, de que Vital Moreira fala, é um argumento sectário e flagrantemente contrariado por tantos exemplos, como as lutas contra os encerramentos das urgências hospitalares ou outras acções em defesa dos serviços públicos, que estão a saque e a serem desmembrados no seu verdadeiro espírito público.

Mas a verdade e isso não diz o professor, é que este governo na linha do que já vinha acontecendo, ainda que hoje com maior profundidade, lançou a mais indigna e injuriosa campanha contra a função pública em geral, os serviços e os seus trabalhadores. Um ataque premeditado, atempadamente planeado e orquestrado, que se tornou numa máquina trituradora do sector público com o apoio natural dos interesses e cobiças que se movem á volta de alguns dos principais sectores que o capital quer gerir e explorar as suas mais valias.

O actual governo, faz do Estado um patrão arrogante e explorador de mão-de-obra barata e cada vez mais precarizada em largos sectores do funcionalismo público. Teve o privilégio de criar especificamente para si, mecanismos legislativos que alteram todas as regras básicas de direitos adquiridos e impõem filosofias laborais que só podem ser balão de ensaio, para no futuro serem igualmente aplicadas ao privado. Apressa-se, perante tal realidade de grande fragilidade nas relações de trabalho entre o Estado e os seus trabalhadores, a pressionar no sentido de uma maior liberalização do código laboral de Bagão Félix do tempo do PSD/CDS, já considerado pelos patrões, ultrapassado pelo "empreendorismo" estatal na destruição de direitos e na inaceitável exploração e fomento da precariedade que só enfraquecem os serviços públicos que este governo prima em se desresponsabilizar, como resultado de toda a vergonhosa campanha, cujos resultados começam a ficar mais claros e com grande incidência nas portas escancaradas na Saúde e na Educação.

A resposta só pode ser de facto o intensificar do afrontamento social e do aprofundamento das contradições entre diferentes interesses de classes que se traduzem na inevitável "luta de classes", também na Função Pública, quando se alteram vínculos laborais no emprego público e se promove a precariedade na Função Pública e a liberalização dos despedimentos ou o aumento da idade de aposentação e a diminuição das pensões, colocando os trabalhadores num plano de indignidade profissional e laboral inaceitável. Causas compreendidas mesmo no silêncio dos medos que reinam perigosamente na sociedade, por quem no sector privado sofre igualmente a vil exploração do capital cada vez mais rico à custa de salários de miséria, que estranhamente Vital Moreira não quer reconhecer, preferindo o primado da ideologia de Sócrates, cuja governação assenta desde a primeira hora no ataque impiedoso aos trabalhadores dos serviços públicos, humilhando-os, desacreditando-os e no caso dos professores, até desautorizando-os perante alunos, pais e sociedade em geral.

Viva, pois, a "Luta de Classes" no sector público.

19/03/2008

José Lopes (Ovar)

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
tit_otaemdebate.png
tit_esquerda.png
Esquerda 40: Não tem que ser assim
Leia aqui o jornal "Esquerda"
Clique na imagem para aceder ao Esquerda 40 em pdf
Outros números do jornal Esquerda
Assinatura do Jornal Esquerda
Participe
Crise Financeira Mundial
Reforma de 186 euros, depois de trabalhar 35 anos
O nosso leitor Armando Soares, conta-nos a revolta da sua esposa: "com a mesma idade que eu (60 anos) começou a trabalhar antes dos 10 anos, a descontar aos 14, sempre trabalhou, sempre descontou, até que um dia tinha ela 50 anos, o patrão resolveu fechar a empresa (...) Terminou o desemprego próximo dos 55 anos, meteu reforma antecipada, ganha actualmente 186 euros, trabalhou uma vida 35 anos, qualquer rendimento é maior do que o ordenado dela (...)".
Publicamos ainda opiniões de Luís Peres e José Lopes.

Ler Mais
Educação em Debate
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.