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21-Mar-2008
Vitalino Canas, provedor das ETT e porta voz do PSA doutrina - não perder tempo com o que se faz mal - percebe-se melhor quando é remunerada. Precisamente, Vitalino Canas é um assalariado da associação das Empresas de Trabalho Temporário, que o nomearam "provedor do trabalho temporário".
Opinião de Jorge Costa.

Vitalino Canas, porta-voz nacional do PS, foi "o empregado do mês" deste Março em que se assinalam 3 anos de governo PS. É ele o autor da frase que marcou a data: "quando se fazem balanços é para realçar aquilo que se fez bem. E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal". A doutrina - não perder tempo com o que se faz mal - percebe-se melhor quando é remunerada. Precisamente, Vitalino Canas é um assalariado da associação das Empresas de Trabalho Temporário, que o nomearam "provedor do trabalho temporário". O objectivo, como diz, é "melhorar a imagem do sector" e, claro, receber queixas de trabalhadores temporários. Este mês, o provedor Vitalino foi estrela de relações públicas num evento da associação patronal...

De facto, Vitalino é um encartado representante deste lobby. Há um ano, na votação parlamentar da lei do trabalho temporário, apresentou uma indignada declaração de voto contra a falta de liberalismo do diploma: "é com inquietação que constato que, em aparente contraciclo, o novo regime de trabalho temporário é mais restritivo do que aquele que o PS apresentou inicialmente. (...) É o caso da responsabilidade do utilizador por dinheiros devidos ao trabalhador quando a ETT não lhe paga. Que utilizador quer correr esse risco?". Vitalino denunciava também a limitação dos contratos de trabalho temporário a um máximo de dois anos (e de um ano se a justificação do contrato for acréscimo excepcional da actividade), quando no projecto inicial do PS o prazo era de três anos. E concluía: "Não é de esperar que, perante estes obstáculos, as empresas optem por soluções ‘habilidosas', menos transparentes, de trabalho ilegal sem grandes hipóteses de fiscalização?" O porta-voz nacional do PS conhece de perto a delinquência patronal...

No Diário Económico, o jornalista João Paulo Guerra foi certeiro na análise: "o rótulo ‘socialista' em Portugal engloba as concepções de vida e de sociedade mais distantes dos ideais de solidariedade que inspiraram as doutrinas sociais. Um socialista português de hoje pode achar curto em matéria de despedimentos o pacote laboral de Bagão Félix. Como pode não ver qualquer conflito de interesses entre representar o povo e trabalhar para o patronato do trabalho temporário"...

Jorge Costa

 
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