Aposta nos biocombustíveis coloca em perigo produção de alimentos criar PDF versão para impressão
19-Abr-2008
Automóveis devoram alimentos O recurso crescente a biocombustíveis supõe uma ameaça à produção mundial de alimentos e pode colocar em perigo a vida de milhões de pessoas em todo o globo. Esta advertência foi feita em Londres pelo professor John Beddington, principal assessor científico do governo britânico, no seu primeiro discurso público desde a nomeação para o cargo.  

"É muito difícil imaginar como o mundo vai poder produzir colheitas suficientes para gerar energia renovável e satisfazer ao mesmo tempo a sua enorme necessidade de alimentos", assinalou.

Segundo Beddington, para o ano de 2030, a população mundial terá crescido tanto que será necessário aumentar em 50% a produção alimentar; e para 2080 há que duplicá-la.

Mas a aposta nos biocombustíveis significa que cada vez mais terra arável vai ser entregue aos biocombustíveis do que aos alimentos.

O risco de escassez de alimentos nos próximos 20 anos é tão agudo que os políticos, os cientistas e os agricultores têm de procurar já soluções, defende Beddington. 

Os cientistas prevêem que as secas serão mais frequentes ao longo do século, e a procura de água será cada vez mais maior, não só porque vão existir muitos mais milhões de pessoas, mas também porque haverá maior necessidade de água para as colheitas.

A produção de uma tonelada de trigo requer, por exemplo, 50 toneladas de água. Para Beddington, como os governo tomaram medidas contra as alterações do clima, é preciso fazer algo para evitar futuras fomes.

"A procura de alimentos cresceu muito no mundo, particularmente na China e Índia. Para o ano de 2030, a procura de energia terá crescido em 50% e a de alimentos em igual percentagem", defende o cientista. Beddington qualificou, por outro lado, de "loucura" a destruição das florestas tropicais para cultivar biocombustíveis.

As advertências do cientista britânico coincidem com as pronunciadas no parlamento europeu pela directora executiva do Programa Mundial de Alimentos, Josette Sheeran. A produção de biocombustíveis tem afastado muitas terras da cadeia alimentar, o que poderá constituir um benefício económico para os agricultores, mas ao mesmo tempo vai prejudicar os mais pobres do mundo, referiu.

A alta do preço dos alimentos sente-se não só nos países pobres mas também nos ricos, como o Reino Unido, onde os preços do cabaz de compras aumentou 17% em dois anos e se prevêem novas subidas de produtos básicos, como o pão, pelo aumento espectacular do preço do trigo. 

07/3/2008

 
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