Mais do mesmo ou a descida do IVA criar PDF versão para impressão
06-Abr-2008
Natasha NunesO anúncio de que o governo decidiu baixar o IVA de 21% para 20% não enganou ninguém. É cristalino como a água que aquilo que o PM diz ser uma medida racional, prudente mas justa, que vai dar uma ajuda à economia, na verdade, trata-se de uma medida menor, "performativa" e ludibriante.

Quando muito vai facilitar a vida a parte do sector empresarial, na medida em que poderão reter parte do percentual, agora o que não vai, com certeza, é incentivar a retoma do consumo interno, proporcionar uma baixa real de preços ou beneficiar os consumidores.

Enquanto o país continua a viver o drama de uma crise social profunda, o desemprego, os salários baixos, o endividamento das famílias, o acentuar das desigualdades combinado com o usufruto cada vez menos universal dos seus direitos sociais, o governo PS teima em congratular-se por uma governação que entende ser em benefício para o futuro do país.

Mesmo quando todos os indicadores apontam para uma continuidade da desaceleração da economia e quando até já as instituições financeiras internacionais reconhecem que uma revisão das directrizes estranguladoras de Bruxelas se coloca como necessária, avalizando uma maior intervenção e investimento estatal para ver se se seguram os alicerces, Sócrates insiste em ignorar que a política económica que urge aplicar necessita de uma transformação estrutural e não de pôr em prática um ou outro recurso conjectural e simbólico.

Ao invés de gizar uma verdadeira reforma fiscal, abolindo o sigilo bancário, deitando mão aos offshores e reorganizando o esquema tributário com base no reescalonamento da taxação dos rendimentos, o PS persevera em manter o rumo traçado: o da benemerência para com os grandes grupos financeiros em detrimento do combate pela equidade social.

E já adiantou que aquilo que pretende é continuar a consolidar a redução do défice. Nas entrelinhas, disse que, para o ano, lá para as vésperas das eleições, talvez venha algum agradozinho aos contribuintes. Ir à raiz do problema e meter o dedo na ferida é que não, até porque Belmiro de Azevedo, comentando a descida do IVA, foi logo dizendo que sabia a pouco, que o que se impunha era descer brutalmente o IRC.

Natasha Nunes

 
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