O silêncio precário do PS criar PDF versão para impressão
11-Abr-2008
Luís BrancoVieira da Silva preferiu falar do Complemento Solidário para Idosos e do Rendimento Social de Inserção. Sobre os falsos recibos verdes e drama da geração 500, 600 e 700 euros, o ministro preferiu nada dizer. Compreende-se: em Portugal, o Estado é o maior patrão dos precários.

 

A interpelação ao governo sobre precariedade laboral e social foi agendada pelo Bloco há algumas semanas. Mas o governo surgiu no debate optando por fugir sempre à questão que estava em cima da mesa. Talvez por estar em vésperas de apresentar a revisão do Código de Trabalho e preparar para essa altura novas facilidades às empresas que menos responsabilidade querem ter com os que estão ao seu serviço.

O Bloco apresentou quatro desafios ao governo para a revisão da legislação do trabalho: limitar a duração dos contratos a prazo a um ano, integrar os 117 mil precários do Estado, acabar com os sucessivos contratos de "falsos temporários" e contratar mais inspectores de trabalho. As três primeiras medidas foram tomadas pelo governo do PS com Guterres e Ferro, a última já foi prometida várias vezes por Vieira da Silva, que volta e meia dá aos jornais a manchete "Governo contrata 100 inspectores de trabalho", várias vezes publicada sem nenhuma correspondência com a realidade.

Neste debate, o ministro Vieira da Silva preferiu falar do Complemento Solidário para Idosos e do Rendimento Social de Inserção. Sobre os falsos recibos verdes e drama da geração 500, 600 e 700 euros, o governo preferiu nada dizer. Compreende-se: em Portugal, o Estado é o maior patrão dos precários.

São mais de 900 mil pessoas, a maior parte a ocupar funções em empresas, que são obrigadas a viver como "prestador de serviços", sem direito a nada, nem sequer ao despedimento, já que quando o patrão manda embora o trabalhador foi o serviço que cessou e a justiça da causa nem é chamada ao assunto.

As empresas agradecem o silêncio do governo, porque querem ter o mínimo de responsabilidade possível para quem nelas trabalha. Por isso recorrem aos falsos temporários e aos falsos prestadores de serviços. Mas não seria de esperar o mesmo comportamento da parte do Estado, que até no programa das "Novas Oportunidades" emprega precários, que ao todo são 117 mil pessoas.

Ao dizer que o governo pretende "reforçar a capacidade das empresas para se adaptarem" à situação que se vive no mercado de trabalho, Vieira da Silva prepara-nos para o pior. As empresas, essas, ficam gratas ao PS pela adaptação a um regime que nos aproxime um pouco mais à lei da selva.

Luís Branco

 
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