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01-Out-2006

GROUND ZERO PARA A IMIGRAÇÃO
17-minutemen-2-apOs Minutemen são uma milícia de extrema-direita e que considera os imigrantes potenciais terroristas. Fundados recentemente, eles colocam-se na fronteira dos Estados Unidos com o México para caçar imigrantes.
por ALI WINSTON (The Nation)

 

Empurrado contra o enorme vazio do “Ground Zero”, o co-fundador do projecto Minuteman  Jim Gilchrist e Jerome Corsi, um dos autores do conhecido livro sobre John Kerry “Unfit for Command”, dirigiu-se aos membros da comunicação social presentes, no dia 26 de Julho, ao meio-dia.
Os dois estavam a promover o seu novo livro, “Minutemen: a batalha para controlar as fronteiras da América”. A escolha do “local sagrado” do 11 de Setembro foi calculada para relacionar a ameaça terrorista com a imigração indocumentada. Corsi não perdeu tempo a dedicar o seu livro “às vítimas do 11 de Setembro e a nossa determinação para nos opormos à imigração ilegal”. 
Nos últimos meses, os Minutemen embarcaram numa campanha publicitária radical contra a imigração que incluiu a corrida, por parte de Gilchrist, a um cargo político e o empenho na construção de uma vedação no Arizona. Políticos e especialistas, como o representante do Colorado, Tom Tancredo, o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger (que tem se distanciado das suas posições iniciais), e Lou Dobb’s da CNN, mostraram o seu apoio ao grupo. A dedicatória ao Ground Zero manifesta a importante propensão para a ligação da imigração ilegal ao terrorismo, numa retórica Minutemen.

“Os terroristas usaram as fronteiras do México para se infiltrarem neste país”, diz Corsi, citando um caso de Dearborn, Michigan, um homem que foi acusado de evasão fiscal e de lavagem de dinheiro ao Hezbollah. “O 11 de Setembro foi o resultado de não se reforçar as leis da imigração, de não se proteger as fronteiras”, acrescentou, esboçando a aprovação de 20 (estranhos) apoiantes do Minutemen, a maioria trabalhadores da construção civil sindicalizados e canalizadores. “Nós estamos a fazer o trabalho do Presidente, dos militares dos Estados Unidos e do Congresso.” Gilchrist ficou quieto ao lado de Corsi, visivelmente desconfortado com a presença da comunicação social e satisfeito ao agir como um frustrado.
Os recentes eventos anti-imigração em Fremont, Califórnia, e noutros locais do estado, despoletados pelos Minutemen, foram marcados por violentos conflitos. No passado, apoiantes do Minutemen, disfarçados, enviaram mensagens intimidatórias para alguns eventos. Mas para a “Operação de controlo de fronteiras”, que irá decorrer de 11 de Setembro a 7 de Novembro, data das eleições intercalares do Congresso, os voluntários do Minutemen irão patrulhar a fronteira mexicana. Gilchrist deseja manobrar “uma imagem americana boa e decente” para a sua organização, de acordo com um relatório do Sacramento Bee. “Isto não é a guerra … percam a camuflagem, percam as armas.” No Ground Zero, contudo, a sua mensagem foi claramente beligerante: se é a guerra que os grupos pró-imigração e os nossos governos políticos querem, nós combatê-los-emos!”.

Cedo, um grupo de 120 contra-manifestantes, organizados por grupos pró-imigração, como o Coligação New York May 1 e a Associação Tepeyac, colocaram-se do lado oposto. Eles atraíram a atenção imediata através das palavras de ordem, “Racistas fora, imigrantes dentro!”. Isto, por outro lado, incitou Corsi a gritar sobre o tumulto. Existiram trocas verbais entre o aglomerado de transeuntes e os apoiantes dos Minutemen, um dos quais fez uma saudação Nazi a um apoiante pró-imigração.
Mas os turistas e muitos nova-iorquinos ficaram pouco impressionados pela retórica de Gilchrist e Corsi. “Isto é a coisa mais estúpida que já ouvi em toda a minha vida”, retorquiu uma jovem que passava pelos apoiantes dos Minutemen.
O discurso de Corsi foi seguido por um de Peter Gadiel, presidente da “11 de Setembro, Famílias para uma América Segura”, cujo filho morreu no desastre do World Trade Center. “O nosso filho morreu porque a nossa nação recusou a controlar as suas fronteiras”, assevera Gadiel, dizendo que os sequestradores do 11 de Setembro “eram todos ilegais”, fazendo a alegada ligação entre o 11 de Setembro e a imigração ilegal. Uma deficiente supervisão do governo era para se inculpar, ele acrescentou: “Os seus vistos foram emitidos devido ao lobby das fronteiras abertas… Três dos bombistas estavam aqui devido à amnistia de 1986”. Os comentários de Gadiel, contudo, estavam errados: nenhum dos sequestradores beneficiou da Lei Simpson-Mazzoli desse ano.

As citações de Corsi acerca das suas preocupações com a segurança nacional são desdenhadas pelos manifestantes pró-imigração. Alguns questionam a imprensa e os Minutemen, porque não se discute a fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, ao invés de se chamar a apenas a atenção para a fronteira do Sul?
A considerável cobertura mediática aos Minutemen recebeu também irritação dos manifestantes, que eram vistos pelos vigilantes como “uma muito pequena minoria”. “O problema é que eles têm muita imprensa”, diz Karina Garcia, 22 anos, finalista da Universidade de Columbia. Por contraste, os contra-manifestantes apenas receberam a atenção das câmaras quando levantaram a voz com revolta.
Outros presentes exigiram a colocação dos vigilantes das fronteiras no seu contexto histórico, referindo-se aos proeminentes movimentos de nativos nos primórdios da história americana e caracterizaram os Minutemen como a versão media-savvy dos seus antecedentes, o Ku Klux Klan. Interessantemente, no livro de Corsi e Gilchrist a igreja católica é acusada de  favorecer os indocumentados, ecoando o proeminente anti-catolicismo do Klan, há mais de um século atrás.
Um executivo de vendas de 40 anos, que desejou ser identificado como “Paul”, um veterano da força aérea na Tempestade no Deserto e um imigrante de primeira geração da Ucrânia, disse: “Um imigrante ilegal é um problema, apesar da imigração ser a base da democracia. Já estive em todo o mundo. Este é o melhor local para se viver. Esta é a razão porque todos os imigrantes querem vir para cá”. O nativismo dos Minutemen, aos olhos de Paul, é uma questão de relatividade: é acerca de qual barco tu sais e quando saíste dele”, até porque americanos originais só os índios que também atravessaram o estreito de Bering.
 


 
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