Números do petróleo criar PDF versão para impressão
09-Jun-2008
Paul KrugmanPara o economista norte-americano, colunista do New York Times, a alta do preço do petróleo explica-se porque houve um crescimento do produto mundial bruto, que não foi acompanhado pela produção petrolífera, que estagnou. Publicamos em seguida a tradução de duas colunas publicadas no diário norte-americano.

Por Paul Krugman, do New York Times


Números do petróleo

Há dois factos fundamentais que parecem explicar muito sobre o que está a acontecer com os preços do petróleo.
Em primeiro lugar, o crescimento do produto mundial bruto foi acelerado - de 2,9% na década de 90, para cerca de 5% nos últimos anos, de acordo com o FMI. Tudo isso é devido ao crescimento das economias emergentes, em grande parte da China.
Em segundo lugar, a produção petrolífera do mundo estagnou - após crescer cerca de 1,6% ao ano na década de 90, tem estado basicamente estável nos últimos três anos.
Portanto, temos um rápido crescimento da procura devido à industrialização na Ásia, colidindo com a estagnação da oferta, resultante de o petróleo estar cada vez mais difícil de encontrar. (O choque da procura é provavelmente ainda maior do que o valor do PIB sugere, por causa da China, cuja economia é altamente ineficiente no que se refere à energia).
E procura de petróleo é preço-inelástica - ou seja, são necessários grandes aumentos nos preços para persuadir as pessoas a um consumo significativamente menor.
Há provavelmente mais aspectos da história, mas estes parecem ser os elementos básicos. E parece ser uma receita para a subida dos preços num longo tempo que está para vir.
É isto que o pico do petróleo é suposto parecer - não "Meu Deus, acabamos de ficar sem petróleo", mas uma firme pressão sobre a economia e a nossa forma de viver perante a subida dos preços da energia e as suas consequências. Não importa muito se estamos literalmente no pico ou se a produção pode subir mais alguns milhões de barris por dia: a menos que haja grandes fontes de petróleo por descobrir, vamos estar a sentir este pico no futuro previsível.

15 de Abril de 2008


Mais sobre petróleo e especulações
Uma das coisas que eu acho curiosa na discussão sobre o conjunto do mercado petrolífero é a forma como as pessoas parecem torná-la complicada. Embrulham tudo em matérias relacionadas com mercados de futuros, capital-semente, etc, e perdem de vista o facto fundamental: que só há duas coisas a fazer com a produção de petróleo mundial: consumir-lo ou guardá-lo.
Se o preço está acima do nível em que a procura por parte dos consumidores finais é igual à produção, existe um excesso de oferta - e essa oferta tem que entrar nos inventários de stocks. Fim da história. Se os stocks de petróleo não estão a aumentar, não pode haver uma bolha no preço de mercado.
Agora, é verdade que o petróleo responde muito pouco ao preço, e que as estimativas empíricas de curto prazo sobre a elasticidade da procura, como esta, sugerem que é baixa - digamos .06. Mas, mesmo assim, a matemática de uma grade e sustentada bolha rapidamente se torna assustadora. Digamos que a elasticidade da procura é -. 06, e que se acredita que o preço actual está 40% acima do nível em que a procura para utilização final é igual à oferta. Então, temos de acreditar que 2 milhões de barris por dia estão a desaparecer em algum lugar secreto, uma vez que eles não aparecem nos dados do inventário da OCDE. Isso é uma grande quantidade de petróleo. E é preciso ter em mente que as pessoas alegam há anos que existe uma bolha no preço do petróleo.
Por isso, o meu desafio para as pessoas que dizem que há uma bolha de petróleo é este: diga-me onde acha que existe esse excedente de oferta de crude?

13 de Maio de 2008

 
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