Porque aumentam as desigualdades e a pobreza criar PDF versão para impressão
25-Mai-2008
Álvaro ArranjaCampeões da desigualdade na União Europeia... somos também líderes nos silêncios e nos tabus de uma comunicação social enfeudada ao poder económico. Pensar nos motivos que levam ao aumento das desigualdades...nem pensar!

Fala-se dos baixos salários que conduzem à pobreza mesmo aqueles que têm emprego. Mas não serão as principescas remunerações de administradores e altos quadros ou dos detentores do capital das empresas que estão na origem directa dos baixos salários. Se os trabalhadores receberem 400 ou 500 euros e não 800 ou 900, essa "poupança" vai directa para a remuneração do capital ou dos administradores... daí a grande quantidade de pobres, mesmo com emprego, existente em Portugal. Por isso, também é necessário alterar a legislação laboral, para melhor despedir trabalhadores efectivos que serão substituídos por precários obrigados a receber qualquer salário.

Constata-se que as insuficiências do sistema educativo ou no acesso à saúde agravam as desigualdades. Mas continuam as políticas de cortes, redução e privatização de serviços públicos, para os transformar em negócios privados vedados aos mais pobres, mas sempre financiados com milhões do erário público.

O discurso do défice é repetido pela milionésima vez, justificando cortes nas despesas sociais que agravam a pobreza e as desigualdades, enquanto o Estado contribui com milhões para os lucros privados das Lusopontes , grupo Melo, Espírito Santo... Alienam-se importantes receitas de empresas públicas altamente lucrativas, em privatizações ruinosas para o Estado, mas chorudos negócios para os contemplados e sempre originando mais umas centenas ou milhares de desempregados.

Pauperiza-se as condições de vida das classes médias até níveis insustentáveis, para garantir lucros de milhões para a banca, subindo sucessivamente os encargos com o crédito à habitação, taxas e outras despesas bancárias. O mesmo fazem as petrolíferas aumentando ainda mais as suas margens de lucro, enquanto mandam a sua comunicação social convencer a "arraia-miúda" que a culpa é só do preço do crude ou dos impostos.

Assim conseguimos ser o país mais desigual da Europa, porque temos uma oligarquia económica que sempre viveu dos baixos salários e das verbas de um Estado que, por isso, tem de cortar nas suas obrigações sociais. Para impor esta política, não hesitaram em instalar no poder um Salazar, quando a contestação popular aumentou durante a I República. Por enquanto ,vão-se contentando com o rotativismo PS-PSD...

Álvaro Arranja

 
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