As realidades autistas de Sócrates criar PDF versão para impressão
09-Jun-2008
bruno_maia.jpgDois milhões de portugueses em risco de pobreza. Portugal entre os 25 países com maiores desigualdades sociais. Mais de 700 mil milhões de Euros de lucro para a Galp num só trimestre. 1 em cada 7 assalariados portugueses não ganha o suficiente para fugir ao limiar da pobreza.

Para Sócrates a culpa é do divino internacional! Essa famigerada crise global que ata os pulsos do governo, que é, nada mais, do que uma vítima pobre do aumento do preço do barril do petróleo. Sócrates já não tem instrumentos políticos para combater a pobreza e a precariedade no trabalho - ensaia um discurso de frágil inocência e de benevolente minimizador do contexto de crise.

Para o 1º ministro, o desemprego baixou uns pequenos pontos percentuais em relação ao ano transacto. Não interessa se 75000 desempregados abandoram os centros de emprego e deixaram de contribuir para as estatísticas oficiais.

Para o 1º ministro, o Estado ficou a ganhar por ter dispensado 40000 funcionários públicos nos últimos 3 anos. Não importa se isso se fez à custa do desemprego ou de menor capacidade e eficiência dos serviços públicos.

Para o 1º ministro, Vieira da Silva é o paladino do combate à precariedade. Não importa que o Estado seja o principal empregador de trabalho sem direitos. Não importa que só na administração pública hajam 117 mil precários.

Para o 1º ministro, a liberalização dos preços dos combustíveis, continua a ser uma medida legislativa altamente eficiente do seu governo. Não importa a especulação e o aumento avassalador dos preços a que temos assistido nos últimos meses - ainda que isso se faça à custa dos milhões de lucro da Galp.

Para o 1º ministro a realidade é outra. E ele é uma vítima.

Mas se 8 deputados incomodam a sua própria realidade, os diálogos à esquerda incomodam muito mais... "Os factos são teimosos" e foram eles que reuniram na passada terça-feira, tanta gente, de tanto destino diverso, com tantas ideias díspares. Pessoas de esquerda, que não aceitam a pobreza e a precariedade e recusam a arrogância de um governo extremado dentro do neo-liberalismo. E foi vê-los passar (ao PS) e dizer tudo sobre o comício das esquerdas: tudo menos aquilo que deveria ser dito - é que há muito mais esquerda combativa do que aquela que Sócrates sonha em controlar.

Mas essa esquerda combativa não estava só no comício. Está hoje na rua, na manifestação da CGTP, assim como esteve na manifestação dos professores, nas manifestações contra a reestruturação dos serviços de urgência, nas manifestações de pescadores, na greve dos maquinistas da metro do Porto, no MayDay contra a precariedade no trabalho... São essas as esquerdas que Sócrates deve temer - as que estão nas ruas!

E contra essas esquerdas não há realidades fictícias que o 1º ministro possa manipular, vitimizando-se. Pois essas esquerdas vivem a realidade da verdadeira pobreza e do verdadeiro défice social.

Bruno Maia

 
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