Falta de decoro do PSD em Lisboa criar PDF versão para impressão
21-Jun-2008
Bernardino ArandaO PSD apresentou uma Moção na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) a "censurar a actuação do vereador Sá Fernandes" e a exortar António Costa a retirar-lhe os pelouros.
A Moção - que foi aprovada com os votos da direita e a abstenção do PCP - é um exemplo da pior política que se faz na AML.

Muitos dos deputados municipais descuram em absoluto a análise aprofundada dos assuntos, o conhecimento dos dossiers, dos problemas e anseios dos lisboetas, e vivem para a "troca de galhardetes", para o "teatro parlamentar" mais superficial, para as "defesas da honra", a demagogia e a atoarda fácil.

Na Moção, de que é que Sá Fernandes é acusado?

Desde logo de bloquear as obras do Túnel do Marquês, claro, "com prejuízos de vários milhões". É uma marca Santanista: sempre que se tratam de dinheiros públicos, é-se vago e displicente. "Vários milhões de euros"; "alguns milhões de euros"; "pague-se aí uns milhões de euros" foi a receita que levou a câmara ao estado de ruptura financeira em que hoje se encontra.

Depois, de "bloqueio militante do executivo camarário nos anteriores mandatos". O PSD pensa que o seu executivo camarário caiu por acção exclusiva do Bloco e de Sá Fernandes. Não se apercebe que, muito embora tenhamos trabalhado intensamente para uma mudança política na cidade, o executivo caiu de podre, imerso em escândalos, dívidas e investigações judiciais.

Finalmente, como não podia deixar de ser, Sá Fernandes "passou a alugar os jardins públicos da cidade, privando os cidadãos do seu usufruto".

"Começou com a Praça das Flores (...) e vai agora privatizar o Jardim da Estrela, entregando-o à conhecida cadeia de hipermercados Continente, mais uma vez prejudicando todos os seus utilizadores em benefício de um poderoso grupo económico"

Sobre a Praça das Flores e a licença atribuída à Skoda, já tudo foi dito e escrito e a posição de demarcação do Bloco de Esquerda foi bastante clara.

Sobre o Jardim da Estrela, basicamente o que se passa, é que o Continente, no âmbito da sua "estratégia de responsabilidade social", tem financiado projectos na área do ambiente em diversas autarquias. Em Lisboa, foi proposto que financiasse a extensão do parque infantil do Jardim da Estrela, obra concebida e projectada inteiramente pelos serviços municipais e que será paga pelo Continente, ficando assinalado, como é da praxe, numa pequena placa, quem foi o mecenas.

É isto que preocupa o PSD? Um partido que tem o currículo que tem no que diz respeito a privatizações e a cedências gratuitas a privados?

Convém por exemplo relembrar, até porque o assunto está a voltar à ordem do dia, que ainda neste mandato o PSD fez aprovar uma proposta que na prática travou a devolução de 134 mil metros quadrados do Parque Florestal de Monsanto à cidade, que são hoje ocupados pelo aristocrático Clube Português de Tiro.

A falta de honestidade do PSD de Lisboa, parece não ter limites.

Bernardino Aranda

 
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