Novo Código de Trabalho: a falência social dos trabalhadores! criar PDF versão para impressão
27-Jun-2008
daniel_bernardino.jpgO acordo do novo código de trabalho, entre patrões, Governo e UGT, agudiza a falência social dos trabalhadores!
A aplicação destas alterações nas relações laborais será mais acentuada e terá mais e maiores implicações no desempenho dos trabalhadores, podendo originar que mesmo onde exista paz social a mesma se degrade.

O facto do prazo do período experimental passar de três para seis meses enfraquece a relação laboral entre patrões e trabalhadores, prejudica principalmente os mais jovens que se iniciam no mercado laboral, aumentando a precariedade.

Também uma chamada de atenção para aquilo que se pode considerar um grave ataque aos sindicatos. O facto do trabalhador se poder sindicalizar ou não, independentemente de beneficiar das condições negociadas pelos sindicatos mais representativos, pode, e de que maneira, enfraquecer os sindicatos. As empresas podem privilegiar as negociações com os sindicatos menos representativos, acordando convenções com sindicatos minoritários, que sejam do interesse dos patrões.

Não será certamente o caso das situações em que existam Comissões de Trabalhadores (CT's), as quais normalmente fazem as negociações nas empresas, onde se encontram e representam todos os trabalhadores da empresa, mas não podem as CT's estar de acordo com este tipo de negociações de fragilização dos sindicatos, até pelo facto de existirem empresas que, por diversos motivos, não têm CT's diabolizando-se assim as relações laborais.

A questão da adaptabilidade é de tal modo violenta que o nosso país não tem capacidade para que, socialmente, acompanhe horários em que os trabalhadores poderão trabalhar dias com 12 horas durante três dias numa semana com um máximo de 40 horas de trabalho. Não temos escolas preparadas para este tipo de horários e grande parte das creches e infantários não se adequam às necessidades deste tipo de medidas. A vida familiar é um pilar básico e essencial da nossa sociedade, para um equilíbrio mental e económico, pode assim ser colocado para segundo plano, o que trará consequência inevitáveis para as gerações futuras.

Estamos, assim, perante um enorme desgaste e enfraquecimento das relações laborais, e esperamos que o facto da UGT ter assinado o acordo, não seja prenúncio de desmobilização de muitos trabalhadores para o próximo dia 28 de Junho e para uma eventual greve geral.

Temos assistido, por diferentes governos, a promessas de melhorias da competitividade, do desenvolvimento do país, pelas mudanças da legislação laboral, como se estas alterações fossem um passe de mágica. Os efeitos têm sido precisamente o contrário desde a aplicação do actual código de trabalho, em vigor desde o ano 2003. Certamente não vamos assistir a melhorias com estas novas medidas.

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Parque industrial da Autoeuropa

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.