"A invasão não teve o consentimento das autoridades constitucionais da Checoslváquia" criar PDF versão para impressão
20-Ago-2008
O presidente Ludvik SvobodaEsta declaração do presidente da República Socialista da Checoslováquia, general Ludvik Svoboda, aos microfones da rádio Praga no dia 21 de Agosto, deixa claro que não foram as autoridades constitucionais checoslovacas que fizeram qualquer pedido de intervenção militar, e chama os seus concidadãos a enfrentar o desafio e a manifestarem "a adesão ao socialismo, à liberdade e à democracia."


Texto da declaração do presidente Svoboda à Rádio Praga (noite de 21 de Agosto de 1968)

Caros concidadãos,

É a segunda vez que me dirijo a vós neste triste dia. Atravessamos horas excepcionalmente graves da vida da nossa nação. Unidades militares da União Soviética, da República Popular da Polónia, da República Democrática Alemã, da Hungria, penetraram no nosso país. Fizeram-no sem consentimento das autoridades constitucionais do nosso Estado.

No entanto, estas autoridades, conscientes da sua responsabilidade diante da nossa pátria, devem encontrar uma solução rápida à situação criada, e devem obter a retirada rápida das forças estrangeiras.

Com este fim, desenvolvi hoje todos os esforços materialmente possíveis, dadas as presentes condições. Entre as medidas que tomei, podemos relevar a convocação da Assembleia nacional em sessão plenária. Esta tarde discuti com os membros do governo os problemas mais urgentes que concernem ao restabelecimento da vida normal no nosso país e à salvaguarda da sua integridade. As discussões vão continuar amanhã, espero que o primeiro-ministro possa também participar.

Tenho conhecimento de todos os problemas, de todas as dificuldades provocadas pela situação actual, e de novo apelo a vós, caros concidadãos, para vos pedir que exerçam a maior prudência possível e evitem tudo o que possa causar acções lamentáveis cujas consequências seriam irreparáveis. Este apelo sincero é particularmente dirigido à nossa juventude.

Apelo a todos, operários, camponeses e intelectuais e peço-vos que manifestem pela vossa atitude a adesão ao socialismo, à liberdade e à democracia. Não se trata para nós de um recuo.

O programa de acção do Partido Comunista checoslovaco e a declaração-programa do governo de Frente Nacional exprimem os interesses e as necessidades vitais de toda a população da nossa pátria. Precisamos continuar a obra que começámos.

Não nos deixemos desencorajar, consolidemos as nossas fileiras, unamo-nos com o Partido Comunista da Checoslováquia e com a Frente Nacional inteira, prossigamos os nossos esforços para chegar a uma vida melhor ao nosso país.


 
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