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22-Ago-2008
Tanques soviéticos em Praga
Há 40 anos, a experiência checoslovaca de democratizar o socialismo, a Primavera de Praga, foi esmagada pela invasão dos tanques da União Soviética e de outros países do Pacto de Varsóvia. O Esquerda.net reuniu neste dossier artigos e reportagens a rememorar os acontecimentos e documentos da época, em particular um relato do português Flausino Torres, a carta de seis comunistas portugueses exilados criticando a invasão, e uma carta de Flausino Torres pedindo a suspensão de Álvaro Cunhal do PCP.

Para começar, João Madeira relembra os factos que levaram ao esmagamento da Primavera, e afirma que as possibilidades de democratizar as "democracias populares" a partir do seu seio reduziram-se drasticamente. Flausino Torres, comunista exilado em Praga, assistiu horrorizado aos tanques soviéticos a esmagar a experiência de um "socialismo sem ditadura; socialismo com democracia, com minorias; socialismo sem censura à imprensa". Publicamos um extracto do relato que escreveu na altura, "A Batalha de Praga" . Seis comunistas portugueses exilados na Checoslováquia acompanharam com angústia a invasão soviética. E decidiram escrever uma carta de repúdio, e de uma segunda, de 16 de Setembro, que reage à "decisão vergonhosa da Direcção do Partido Comunista Português". Depois de uma tensa e acidentada entre eles e Álvaro Cunhal, Flausino Torres enviaria à direcção do partido uma carta propondo a suspensão de Cunhal do PCP.

Voltando à avaliação dos acontecimentos, Jorge Costa mostra que Só os tanques soviéticos pararam a participação popular. E Daniel Oliveira, numa reportagem publicada há 10 anos, relembra a Primavera de Praga e também a Revolução de Veludo, de 1989. Regressando aos documentos da época, uma carta publicada no Le Figaro de uma mulher residente em Praga e militante do Partido Comunista Checoslovaco, observa: "Estamos a ser ocupados pelos nossos fraternos aliados" . Uma declaração da TASS, a agência de notícias oficial da União Soviética, afirma que a invasão foi feita a pedido dos "militantes e homens de Estado da República Socialista Checoslovaca". Mas o presidente checoslovaco, Ludvik Svoboda, afirma em discurso pela rádio que "A invasão não teve o consentimento das autoridades constitucionais da Checoslváquia". Um artigo do jornal Le Monde da época traça o perfil do secretário-geral do PC checoslovaco, Alexander Dubcek. E um artigo da Euronews informa sobre a exposição que recorda os acontecimentos da Primavera 40 anos depois. Finalmente, uma Cronologia dos acontecimentos.
Dossier coordenado por Luis Leiria

 
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