Manuela: zero menos zero, zero… criar PDF versão para impressão
02-Jul-2008
Miguel PortasRaras vezes uma entrevista televisiva revelou tanto vazio de ideias como a que a nova líder do PSD ontem deu à TVI.
Manuela Ferreira Leite centrou-se exclusivamente sobre as decisões de investimento público. Não para as contestar - o que seria problemático porque, pelo menos, 2/3 vêm do seu tempo no governo - mas para invocar que sobre elas não conhece estudos.

Não se pronunciou sobre as grandes obras - TGV ou novo aeroporto e ponte associada - o que também se compreende, porque foram decididas no governo de Durão Barroso ou, no caso do aeroporto, o PSD fez o que pode para mudar a localização depois de ter defendido a anterior...

Em concreto, centrou-se sobre as obras que só começam a ser pagas em 2014, criticando "os custos de um período de carência de 5 anos". O argumento é o de que não se deve fazer o que não se tem dinheiro para pagar. Mas... não foi o PSD que "inventou" os "investimentos a custo zero", não durante 5 anos, mas por décadas, como o negócio da segunda ponte? Acresce que, interrogada sobre a opinião de um deputado do seu partido, que reclamava a devolução de dinheiro a Bruxelas para projectos comparticipados, não teve, sequer, a consequência de dizer, pois claro.

A inconsistência do discurso revela-se, contudo, no vazio de alternativas que sugere. Basicamente, sustenta que só depois de ter os estudos se pronunciará. E que a opção é, "categoricamente", "ajudar as instituições de solidariedade"... porque o importante não são as contas públicas mas as pessoas. Apesar de, durante todo o tempo... só ter falado de contas públicas.

Sinceramente... se não se devem baixar os impostos por causa do défice e se se devem reduzir as despesas de investimento, como quer Manuela evitar mais desemprego e recessão? Com umas migalhas para as instituições de solidariedade? Oh deus meu, não haverá aí por cima um milagrezito em saldos?

Miguel Portas, artigo publicado no blogue Sem Muros

 
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