O Bloco central à mesa do jantar criar PDF versão para impressão
04-Jul-2008
Luís BrancoTalvez a melhor imagem do estado de podridão desta "alternância" tenha sido o episódio parlamentar da semana: chegados ao período das votações, os deputados do PS chumbaram uma proposta do PSD para em seguida aprovar outra exactamente igual, mas desta vez subscrita pelos deputados socialistas. Ficámos todos a saber que o que os distingue, afinal, é só a assinatura.

Esta semana foi fértil em entrevistas políticas. Com empresas a fechar a um ritmo diário e a poucos dias depois do acordo tripartido sobre as leis laborais, a palavra "desemprego" não surgiu nas perguntas ao primeiro-ministro. E Sócrates aproveitou o clima para distribuir as culpas da crise por tudo o que vem de fora, garantindo que melhor governo era impossível.

Do lado do PSD, Manuela Ferreira Leite continua a apostar na táctica cavaquista da gestão dos silêncios e não se compromete com nenhuma política alternativa ao governo. Já o fez com os militantes do partido, e deu resultado. A proposta de carregar no botão de pausa do programa das grandes obras públicas tornou-se a grande bandeira do PSD pós-Menezes. Justificada pela falta de dinheiro e a ignorância sobre os estudos, a ideia é sem dúvida popular e pode trazer vantagens a quem tem quatro campanhas eleitorais pela frente. Com a maioria absoluta do PS a parecer já uma miragem, a perspectiva de renegociação dos fundos com Bruxelas para outros projectos, após as eleições, pode valer o regresso de muitos apoios à sede laranja.

Tirando a "pausa" das obras públicas e o facto da candidata laranja ter confessado "não ser suficientemente retrógrada" para criminalizar a homossexualidade, mas sê-lo o suficiente para discriminar pessoas em função da orientação sexual, destas duas entrevistas fica a ideia de que o PSD e o PS continuarão sem se distinguir no rumo das políticas essenciais até às eleições. Os elogios de Ferreira Leite à reforma da segurança social, que vem baixar ainda mais as pensões no futuro, são um bom exemplo.

Talvez a melhor imagem do estado de podridão desta "alternância" tenha sido o episódio parlamentar da semana: chegados ao período das votações, os deputados do PS chumbaram uma proposta do PSD para em seguida aprovar outra exactamente igual, mas desta vez subscrita pelos deputados socialistas. Ficámos todos a saber que o que os distingue, afinal, é só a assinatura.

Luís Branco

 
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