Carta ao Embaixador da Colômbia criar PDF versão para impressão
21-Jul-2008
António ChoraAo senhor que é Embaixador num país democrático compete fazer chegar ao seu governo a alegria pela libertação de uns e a enorme tristeza e repúdio pelos civis assassinados, nomeadamente os que lutam à luz do dia por uma sociedade em que o ser humano seja respeitado como tal.

É lamentável que no seu país, as FARC continuem a raptar pessoas, e que se estejam (ou tenham) transformado num grupo de raptores, quando os seus objectivos iniciais eram a luta por melhores condições de vida e de liberdade para o Povo Colombiano.

Pela minha parte não desculpo este movimento por aquilo em que se tornou nos últimos anos, no entanto, enquanto o Governo do seu país continuar a ter dois pesos e duas medidas, ou seja, tentar ganhar a guerra contra as FARC e ou conseguir politicamente que este grupo se transforme num partido politico e ao mesmo tempo permitir senão apoiar, armar e garantir impunidade a grupos fascistas e assassinos que se encarregam de assassinar sindicalistas, militantes de partidos de esquerda e de qualquer outro movimento que lute pela DEMOCRACIA, ninguém pode esperar que as FARC encarem com seriedade qualquer proposta vinda de tal Governo.

Senhor embaixador a vida das pessoas tem o mesmo valor em democracia, o seu governo e principalmente o seu Presidente tem que aprender isto.

As FARC não precisam de amnistia, precisam de democracia, e no dia que ela existir de verdade, eles, como todos os outros grupos guerrilheiros do século XX saberão optar pelo que é melhor para o seu povo, pois como já disse foi por isso que iniciaram a sua luta.

Ao senhor que é Embaixador num país democrático compete fazer chegar ao seu governo a alegria pela libertação de uns e a enorme tristeza e repúdio pelos civis assassinados, nomeadamente os que lutam à luz do dia por uma sociedade em que o ser humano seja respeitado como tal.

António Chora
Sindicalista
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da VW Autoeuropa

 
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