Corrupção criar PDF versão para impressão
28-Jul-2008
João RomãoEm resposta às contundentes declarações de João Cravinho, o PS respondeu que não recebe lições de combate à corrupção do seu ex-ministro e histórico militante. Não é propriamente uma novidade: Cravinho tinha preparado um plano de combate à corrupção que o PS acabou por rejeitar, apresentando e aprovando no Parlamento um conjunto de medidas que pouco têm a ver com as propostas do seu ex-ministro.

Cravinho voltou a pôr o dedo numa grave ferida da sociedade portuguesa: a grande corrupção está a aumentar e não se vislumbram meios nem acções para contrariar esta tendência. De resto, o ex-ministro socialista denuncia "factos anómalos" no processo legislativo que o PS promoveu para estas matérias e considerou que o organismo criado para o combate à corrupção não tem a necessária independência em relação ao poder político.

João Cravinho refere explicitamente situações onde a grande corrupção está a aumentar, destacando os grandes contratos estabelecidos entre o Estado e agentes privados. Nessa área são evidentes as cumplicidades entre governantes, ex-governantes e administradores de grandes empresas, que tantas vezes se revezam na ocupação destes cargos.

Não deixa de ser curioso comparar os percursos de João Cravinho e Jorge Coelho, dois ex-ministros socialistas com a tutela das obras públicas e responsabilidade na realização de grandes contratos. Cravinho era reconhecido na matéria antes de chegar ao cargo e foi trabalhar para um organismo internacional depois de o abandonar. De Jorge Coelho não se conheciam particulares méritos ligados à gestão de obras públicas, o que não só não o impediu de exercer funções de ministro como viria a garantir a sua transferência para a administração de uma grande empresa com interesses na área que tutelou.

O PS não recebe lições de Cravinho sobre corrupção. No seu momento, também não recebeu lições de Manuel Alegre sobre questões sociais. Nem recebe lições de ética dos partidos da oposição. Mas não deixa de seguir, obedientemente, as orientações monetaristas do Banco de Portugal ou as preferências declaradas das organizações patronais quando se trata de discutir a legislação laboral.

João Romão

 
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