A política social deste Governo PS! criar PDF versão para impressão
01-Set-2008
Daniel BernardinoOs trabalhadores precários atingem o expoente máximo no período de Verão pelo facto da existência de mais trabalho sazonal. O facto de ser sazonal é considerado pelo instituto nacional de estatística (INE) como sendo um emprego preenchido, logo podemos estar, brevemente, perante um aumento do desemprego, pois todos sabemos que muitos destes trabalhadores deixarão de ter o seu "emprego de Verão".

Também não nos podemos esquecer que, muitos dos inscritos nos centros de emprego foram chamados para fazer formação profissional e deixaram de fazer parte das contas dos desempregados, o que não reflecte a realidade, estas pessoas não estão empregadas, logo não podem fazer parte dos números dos trabalhadores com emprego, mas como o governo insiste em pretender fazer crer aos portugueses que os números é que contam, logo esta é uma política social completamente desenquadrada que não reflecte a realidade dos números que são divulgados.

Outra questão de extrema importância é que a política social que tem sido desenvolvida por este governo, tem levado a que muitos trabalhadores recorram ao crédito bancário para tentarem pagar as suas contas, colocando-os cada vez mais vulneráveis à pobreza, bastando para isso, apenas e só o facto de ficarem desempregados. O facto de recorrerem aos bancos não é só para que adquiram mais e melhores bens materiais, muitos créditos já são para aquisição de bens essenciais e isso é que é preocupante, levando muitos trabalhadores a aceitarem qualquer tipo de emprego que surja, seja precário, tenha boas ou más regalias, é a condição frágil do desempregado endividado.

A taxa euribor a seis meses, a qual regula a maior parte dos créditos à habitação, atingiu em Agosto o máximo dos últimos oito anos, o que levará, certamente, no próximo mês de Setembro muitas famílias a terem um agravamento na prestação da sua casa e a terem maiores dificuldades para pagarem as suas prestações ao banco, numa altura em que o banco central europeu pode estar a preparar novas subidas das taxas de juro, o que a acontecer trará ainda maiores dificuldades. Não existem alternativas de mercado para os portugueses, o mercado de arrendamento de habitação não existe de forma competitiva com as instituições bancárias, aqui sim o Governo tinha a obrigação de intervir e criar condições no regime de arrendamento de casas com valores de mercado inferiores, que possibilitasse aos jovens, principalmente, iniciar uma vida com menores dificuldades.

No rendimento social de inserção (RSI) assistimos a um "boom" de atribuição dos mesmos, levando a segurança social a contratar trabalhadores em regime de contratação precária para processamento deste subsídios, este é sem dúvida um mau exemplo que o Ministro do trabalho nos dá, contratando estes trabalhadores através da empresa de trabalho temporário Vedior. Mas só o facto de serem atribuídos cada vez mais RSI comprova a existência de cada vez maiores dificuldades das famílias.

Perante estes problemas temos ainda a agravante do período de discussão pública para a revisão do Código de Trabalho ser em período de férias, parecendo até que este tema não é da maior importância para os trabalhadores portugueses. Esta é a política social deste Governo que afirma ser um combate aos problemas sociais e à redução da precariedade, também o anterior Governo dizia que o Código de Trabalho de então melhoraria as condições de trabalho e sociais dos trabalhadores Portugueses!

Daniel Bernardino

 
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