É contra a precariedade e a miséria salarial que “marchamos” sim senhor! criar PDF versão para impressão
08-Set-2008
Mariana AivecaSócrates e Vieira da Silva dão ares de satisfação quando em exaltados discursos nos tentam demonstrar que a taxa de desemprego está a diminuir, que se estão a criar novos empregos, que as acções de formação são um êxito.
O que verdadeiramente escondem é o fracasso de quem prometeu 150mil novos postos de trabalho e que o "trabalho" que estão a criar é uma autêntica aldrabice.

Estão lá, nas estatísticas do INE, preto no branco. São mais de 151mil homens e mulheres que no final de cada mês não levam para casa mais de 310 euros. São um milhão e 678mil pessoas que recebem menos de 600 euros líquidos.

Do outro lado, como se de outro país se tratasse, temos notícias de salários mensais como os de Ricardo Salgado executivo do BES, que recebe 24.532 euros, de Fernando Ulrich do BPI 18.678 euros, de Carlos Santos Ferreira do Millenium 48.061 euros, ou de António Mexia da EDP 49.024 euros.

Quantos/os salários precários caberiam num mês dos seus ordenados?

Mas, é esta verdade dos números das estatísticas do INE, que rapidamente nos transporta para a cruel realidade duma vida plena de dificuldades, onde para muitos/as não é possível sequer garantir o sustento mínimo, onde o futuro só pode ter o tempo e o modo da insegurança e da incerteza. São precárias estas vidas de mais de metade do total dos trabalhadores por conta de outrem, e, um terço da população activa em Portugal.

São os dados do INE que dizem ainda preto no branco, que dos que recebem 310 euros, fazem parte 11mil dos 37mil novos trabalhadores que entraram para o mercado de trabalho no segundo trimestre deste ano.

Sócrates e Vieira da Silva dão ares de satisfação quando em exaltados discursos nos tentam demonstrar que a taxa de desemprego está a diminuir, que se estão a criar novos empregos, que as acções de formação são um êxito.

O que verdadeiramente escondem é o fracasso de quem prometeu 150mil novos postos de trabalho e que o "trabalho" que estão a criar é uma autêntica aldrabice.

Deixam de contar para as estatísticas do desemprego todos/as as que iniciam acções de formação. No final de Junho existiam 22 mil desempregados que contam como empregados, sendo que o subsídio que recebem nessa condição corresponde a 50% do indexante de apoios sociais, ou seja 200 euros.

Não contam para as estatísticas do desemprego todos/as as que trabalham a tempo parcial, não por opção própria, mas porque não têm trabalho a tempo inteiro. São segundo os dados do INE mais de 72 mil pessoas.

Não contam para as estatísticas as 123mil pessoas que trabalham menos de 10 horas por semana. Não contam também as mais de 630 mil que trabalham em part-time.

O que de facto estas centenas de milhar de trabalhadores/as têm em comum é a miséria do seu salário e, a precariedade das suas vidas.

Mas é desta realidade das vidas precárias em contraponto com as vidas dos ricos senhores da banca e tantos outros que, Sócrates se deveria lembrar quando enche a boca de justiça social.

É por isso mesmo que iremos de novo para a rua marchar contra a precariedade, a miséria dos salários, fazendo propostas que afirmem que esta esquerda não aceita que estejamos condenados com o "destino" duma sociedade onde os pobres são cada vez mais pobres.

Mariana Aiveca

 
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