Alternativa? criar PDF versão para impressão
11-Set-2008
Natasha NunesSempre são menos desoladores do que aqueles que quase nunca falam e quando falam não dizem, de facto, nada de novo. Obama e Palin, com as suas prédicas, garbosas, calorosas e empolgantes enchem literalmente uma sala. O problema é que esperamos deles mais do que uma postura de star system, esperamos aquilo que esperamos dos políticos em geral, que tragam algumas ideias estruturantes.

Quando Obama discursou perante mais de uma centena de milhar em Berlim também não disse muito: não nos podemos dar ao luxo de estarmos divididos, muros que temos de derrubar, destino comum, compromisso global para o progresso, juntos para salvar o planeta. Noutras ocasiões avançou com algumas propostas: retirada do Iraque, concentração de esforços no Afeganistão e Paquistão, reforço da diplomacia, descida dos impostos para a classe média, reconfiguração do sistema de saúde e de educação visando o seu alargamento, criação de 5 milhões de empregos verdes. Outras propostas pareceram encantar a esquerda: aumento do salário mínimo, alguns biliões de dólares para investimento publico, uma espécie de taxa robin dos bosques aos lucros das petrolíferas para redistribuir pelas famílias. Não mais do que uma piscadela de olhos: Obama ainda acredita que só o livre mercado pode garantir a prosperidade aos EUA, na sua equipe está rodeado dos meninos da Escola de Chicago.

Nas últimas semanas Pallin ofuscou completamente McCain. Na tv e na net proliferam biopics, pareceres de comentadores e afins. Pouco ou nada se diz sobre as suas propostas. Na verdade, porque ela as não tem. Na sua intervenção durante a Convenção Republicana Palin falou durante 45 minutos: sobre a sua família, a sua conduta política norteada pela integridade e o bom senso, aquilo que é servir e defender o seu país nos momentos mais difíceis: o exemplo de McCain no passado e o orgulho na acção patriótica dos jovens que combatem pela guerra vitoriosa que vai acontecendo no Iraque, também falou da reafirmação dos EUA no mundo: mão firme contra o Eixo do Mal e auto-suficiência energética. Deixou bem vincada uma coisa: a sua veia conservadora. Foi aparentemente graças à captação da intenção de voto dos sectores mais retrógrados que permitiu, em poucos dias, virar os resultados das sondagens a favor dos Republicanos.

Nem um nem outro acrescentam nada de substancial. Ela quer menos estado, ele quer mais estado. Mas nenhum dos dois explica como. Ela acha muito bem que prisioneiros de guerra sejam tratados sem quaisquer respeito pelas normas internacionais, ele promete que vai fechar Guantanamo. Mas nenhum dos dois tem uma estratégia bem definida para o posicionamento do Império no Médio Oriente. Enquanto os EUA, apesar dos solavancos, dos percalços e do ocaso, forem hegemónicos, as suas orientações e desorientações repercutir-se-ão por todo o mundo. É por isso que o debate em torno das Presidenciais americanas é importante e é por isso que uma alternativa robusta e credível de esquerda, que por ora não existe, se impunha como indispensável.

Natasha Nunes

 
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