Vida Assistida \"Cuidados Paliativos - Direito ou Prémio de Consolação? criar PDF versão para impressão
18-Set-2008
Nossos pacientes ainda se encontram à margem do que é preconizado pelo Ministério da Saúde:
... o alívio dos sintomas; o apoio psicológico, espiritual e emocional; o apoio à família; o apoio durante o luto e a interdisciplinaridade.
Nos corredores dos hospitais, nos quartos mais reservados, a morte é abafada... O pacto do silêncio se faz presente - pacientes e familiares, sem o devido suporte emocional, sofrem calados, sem possibilidades de elaborar os seus sentimentos e assim minimizar a sua dor.
Opinião da nossa leitora Ana Cristina Silva.
Primeiramente gostaria de parabenizar a Dra. Laura Ferreira dos Santos, acerca da comunicação: "Ajudas-me a morrer? - Pela despenalização da morte assistida em Portugal".

O termo ‘morte assistida' é bastante interessante e a este somo também o termo "Vida Assistida". Embora acredite e também lute por este direito, creio que há ainda um longo e sofrível percurso pela frente, já que os Cuidados Paliativos ainda são vistos por muitos, como um prémio de consolação oferecido, quando todos os outros recursos da medicina "falharam". Infelizmente a oferta dos Cuidados Paliativos ainda são muito escassos (muitos dizem que não há profissionais preparados...) a verdade é que está se aproximando o dia Internacional dos Cuidados Paliativos (07/10) e ano após ano, Portugal não tem muito o que comemorar.

Nossos pacientes ainda se encontram à margem do que é preconizado pelo Ministério da Saúde:
... o alívio dos sintomas; o apoio psicológico, espiritual e emocional; o apoio à família; o apoio durante o luto e a interdisciplinaridade.

Nos corredores dos hospitais, nos quartos mais reservados, a morte é abafada... O pacto do silêncio se faz presente - pacientes e familiares, sem o devido suporte emocional, sofrem calados, sem possibilidades de elaborar os seus sentimentos e assim minimizar a sua dor.

Os profissionais de saúde, muitos s/ o devido preparo, não conseguem suportar a morte do "outro" e evitam o confronto, quer seja c/ o paciente, ou c/ a família. Os psicólogos, na sua maioria, ainda atendem num modelo pouco efectivo, dentro dos seus gabinetes assépticos...

A morte é então vivida na solidão, no silêncio, na mentira, na vergonha de não ser saudável, produtivo, belo... Até quando??? Até quando vamos enaltecer a vida e ignorar a morte?! Morremos a cada dia, um pouco todos os dias! A vida só tem sentido porque existe a morte!

Isto é um Apelo de uma Psicóloga hospitalar, desempregada, Pós Graduada em Cuidados Paliativos, organizadora científica e pedagógica do Curso de Formação e Acção em Cuidados Paliativos, que deseja que estes pacientes "especiais" tenham um tratamento digno -e acima de tudo que se faça cumprir a Lei; para que não seja necessário pacientes se exporem na TV na esperança de que alguém finalmente, lhe dêem vozes!!!

Ana Cristina Silva

 
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