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24-Set-2008
Manifestação da Central Obrera Boliviana. Foto de eskararriba, FlickRA cronologia dos últimos cinco anos de história da Bolívia mostra as constantes convulsões que abalaram o país andino.


Janeiro de 2003 - Pelo menos 10 pessoas morreram em conflitos entre as forças de segurança e agricultores que se opunham a um plano para erradicar culturas ilegais de coca, uma medida apoiada pelos Estados Unidos.

Fevereiro de 2003 - Cerca de 30 manifestantes e polícias morrem em La Paz em protestos contra a tentativa do então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada de introduzir um novo imposto para reduzir o défice fiscal e obter ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Outubro de 2003 - O presidente Sánchez de Lozada abandona o poder e foge para os Estados Unidos, depois de indígenas sitiarem a capital por seis dias. Opunham-se a um plano de 5 mil milhões de dólares para exportar gás pelo Chile. Dezenas de manifestantes são mortos pelas tropas durante os protestos, baptizados de "Guerra do Gás". No seu lugar assume o vice-presidente, Carlos Mesa.

Julho de 2004 - O presidente Carlos Mesa declara vitória num referendo que tentava reforçar o controle estatal sobre as enormes reservas de gás natural bolivianas.

Junho de 2005 - Carlos Mesa é obrigado a renunciar depois de indígenas, mineiros e camponeses ocuparem a capital, bloqueando as estradas do país por três semanas, para exigir que o Estado assuma o controlo das reservas de gás e reforme a Constituição. Assume interinamente Eduardo Rodríguez Veltzé.

Dezembro de 2005 - Evo Morales, do MAS, vence as eleições presidenciais com 53,74% dos votos, contra 28,59% do seu principal opositor, Jorge Quiroga. Assume oo cargo em Janeiro de 2006.

Outubro de 2006 - Nove pessoas morrem e cerca de 60 ficam feridas quando mineiros usam dinamite num confronto para controlar as minas de estanho.

Janeiro de 2007 - Duas pessoas morrem e dezenas ficam feridas em conflitos entre partidários de Morales e do governador provincial de Cochabamba.

Outubro de 2007 - Milhares de manifestantes ocupam o aeroporto mais movimentado da Bolívia, na cidade de Santa Cruz, para protestar contra Morales.

Novembro de 2007 - Quatro pessoas morrem em violentos protestos contra as reformas implementadas por Morales a favor dos indígenas e dos pobres.

9 de Dezembro de 2007 - Evo Morales apresenta um projecto de lei de referendo sobre a revogação ou continuidade de seu mandato, do de seu vice-presidente e dos nove governadores do país em um clima de tensão política pelo polêmico desenvolvimento do processo constituinte.

15 de Dezembro de 2007 - A Câmara dos Deputados da Bolívia aprova o projecto de lei do referendo revogatório proposto por Morales.

17 de Janeiro de 2008 - O Senado da Bolívia deixa em suspenso a aprovação do projecto de lei sobre o referendo.

30 de Janeiro de 2008 - Diante do fracasso do diálogo iniciado em Janeiro entre o Governo de Morales e os governadores, os oposicionistas vêem como única saída que o Executivo atenda suas reivindicações, ou que seja reconvocado o referendo revogatório proposto pelo presidente.

2 de Fevereiro - O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, aposta na realização do referendo revogatório diante do fracasso do diálogo com os governadores da oposição.

8 de Maio - De forma surpreendente, após vários meses paralisado e por iniciativa do conservador Poder Democrático e Social (Podemos), o Senado aprova por unanimidade o projecto de lei de convocação do referendo revogatório, tal como apresentado por Morales.

14 de Maio de 2008 - O Podemos expressa seu apoio ao referendo revogatório, apesar da rejeição que sua convocação criou entre os governadores de oposição a Morales.

23 de Junho de 2008 - Os governadores dos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Cochabamba - membros do Conselho Nacional Democrático (Conalde) e opositores a Morales - rejeitam a convocação da consulta.

25 de Junho de 2008 - O dirigente e deputado do partido Frente de Unidade Nacional (FUN) Arturo Murillo apresenta um recurso à Corte Nacional Eleitoral para cancelar o referendo revogatório, por considerar a consulta "inconstitucional".

1º de Julho de 2008 - A FUN e o Podemos apresentam um projecto de lei para modificar as normas do referendo, ao entenderem que favorece Morales e prejudicam os governadores.

2 de Julho de 2008 - A Corte Nacional Eleitoral rejeita o recurso legal apresentado por Murillo contra o referendo revogatório.

4 de Julho de 2008 - Os governadores de Santa Cruz, Rubén Costas, de Beni, Ernesto Suárez, e de Tarija, Mario Cossío, mudam de posição e anunciam que se submeterão ao referendo.

5 de Julho de 2008 - O governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, rejeita a decisão dos seus colegas e mantém a oposição a submeter-se à consulta.

7 de Julho de 2008 - O governador de Pando, Leopoldo Fernández, aceita submeter-se ao referendo.

9 de Julho de 2008 - O Senado modifica a lei do referendo revogatório, para que a percentagem de revogação ou ratificação seja de 50% dos votos mais um. Morales afirma que o Congresso não permitirá a alteração da convocação.

16 de Julho de 2008 - Uma missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) chega à Bolívia para acompanhar o referendo revogatório.

22 de Julho de 2008 - A única magistrada do Tribunal Constitucional da Bolívia ordena à Corte Nacional Eleitoral que interrompa a organização do referendo e atenda ao deputado Murillo.

23 de Julho de 2008 - A Corte Nacional Eleitoral decide continuar com os preparativos para o referendo, apesar da ordem do Tribunal Constitucional.

25 de Julho de 2008 - Morales diz que não há argumentos jurídicos nem políticos para suspender a consulta.

29 de Julho de 2008 - A Corte Eleitoral do departamento de Santa Cruz anuncia que também consultará o Tribunal Constitucional para ter a certeza se deve interromper os preparativos para o referendo revogatório.

30 de Julho de 2008 - O Governo de Morales processa por prevaricação a magistrada do Tribunal Constitucional que ordenou a suspensão do referendo revogatório.

31 de Julho de 2008 - A Corte Nacional Eleitoral acerta com sete das nove cortes departamentais uma nova interpretação dos percentuais para a revogação de mandatos na consulta de 10 de Agosto.

1 de Agosto de 2008 - O Governo Morales defende a aplicação da lei do referendo revogatório, contra o acordo sobre percentuais acertado entre a corte nacional e as departamentais.

7 de Agosto de 2008 - Morales adverte que a Bolívia está no "limite de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional", atribuindo o plano aos governadores regionais opositores.

Agosto de 2008 - Morales obtém vitória esmagadora num referendo revogatório de mandatos, mas os governadores de oposição, a favor da autonomia, também foram mantidos no poder, o que aprofundou a divisão política do país. Duas pessoas morrem em choques entre a polícia e trabalhadores da mina de estanho de Huanuni. Os mineiros exigiam pensões maiores, antes do referendo.

10 de Agosto de 2008 - Evo Morales, tem o mandato confirmado pelo voto popular no referendo revogatório. Obtém 63% dos votos, quando precisava de ter mais de 53,7%. Mas os governadores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, os principais opositores de Evo, também tiveram os seus mandatos confirmados, ampliando-se assim a divisão do país.

Setembro de 2008 - Manifestantes anti-Morales atacam gasodutos, interrompendo as exportações do gás natural boliviano para Brasil e Argentina. Morales ordena ao embaixador norte-americano na Bolívia que deixe o país, acusando-o de estimular os protestos antigoverno.

 
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