Louçã defende medidas para proteger os mais afectados pela subida das taxas de juro criar PDF versão para impressão
04-Out-2008

Francisco Louçã explicou a crise financeira mundial e as suas implicações em Portugal. Foto Paulete Matos

Na sessão pública sobre a crise financeira realizada em Lisboa, Francisco Louçã voltou a defender a descida das taxas de juro e criticou o silêncio do governo sobre os riscos da crise para o país. "A independência do Banco Central Europeu é um álibi para que ninguém assuma as responsabilidades", afirmou o economista e deputado bloquista. Clique para ouvir, em wma e veja o resumo da apresentação, em pdf.

 

"Temos um milhão de famílias em Portugal a sofrer com a subida da taxa de juro e desde o início do ano os bancos embolsaram mais de 600 milhões de euros só com esta variação da taxa”. Para Louçã, a cimeira europeia de sábado – “para que José Sócrates não foi convidado” – deveria “assumir o compromisso de reduzir a taxa de juro”.

“A política do juro é fundamental porque afecta, prejudica as pessoas, os salários, as reformas" e por isso o Bloco vai defender na discussão do Orçamento para 2009 o acesso ao crédito bonificado por parte dos desempregados de longa duração. "As vítimas desta barbárie que é o desemprego não podem ser espoliadas com os juros completamente especulativos”, explicou o dirigente do Bloco, numa altura em que "Portugal vai voltar a atingir o recorde de desemprego, segundo diz agora o FMI".

Louçã sublinhou que a actual situação prova que "não existe regulação independente. As entidades de regulação defendem o mercado, como se viu no preço dos combustíveis, ou nas fraudes no BCP. A regulação deve ser uma função do Estado para que possa ser responsabilizada pelas suas decisões". Outras propostas avançadas para enfrentar a crise foram o fim dos off-shores em nome da transparência, e o regresso à propriedade pública dos sectores estratégicos. "A privatização da GALP, da EDP ou das águas são maus negócios, porque criam prejuízos que se vão pagar com impostos", acrescentou Louçã, lembrando que o Bloco se opõe à entrega por Sócrates de mais 1% da GALP às mãos de um grupo privado.

A exposição do economista e deputado do Bloco explicou a dimensão da crise financeira nos EUA, comparou-a com a crise de 1929 e procurou contrariar uma "mentira penumbrosa que diz que a isto tudo é lá fora". "Esta não é uma crise americana. No último ano, a União Europeia gastou mais dinheiro que os EUA, através do Banco Central Europeu, do Banco de Inglaterra e outros bancos centrais" a injectar dinheiro no sistema financeiro.

"Esta é uma crise de sobreprodução, agravada pela financiarização extrema, em que os títulos transaccionados não têm valor nenhum, e esses sim, são capital fictício", afirmou Louçã depois de mostrar a evolução das taxas de lucro e acumulação das últimas décadas nos EUA e em particular desde 1979 a diferença crescente entre o valor acrescentado e os lucros na indústria.

Da introdução ao "modelo excepcional" que é a economia norte-americana, onde "só há consumo e não há poupança", Louçã passou à análise da exposição da economia portuguesa à crise. "As perdas da bolsa portuguesa foram as maiores na Europa e só os PPR dos 3 maiores bancos privados perderam mil milhões de euros". Mas também o sistema público pode sofrer, já que no Fundo de Estabilização da Segurança Social "um quinto da garantia das pensões está em acções", disse o deputado do Bloco.
 

 
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