A luz ao fundo do túnel criar PDF versão para impressão
17-Set-2008
Rui BorgesA guerra do Iraque anda desaparecida dos noticiários. Dizem os comentadores que a estratégia de reforço das forças de ocupação começou a dar frutos. A violência diminuiu e vê-se agora "a luz ao fundo do túnel" ou seja, a possibilidade da vitória americana.

Robert Gates no elogio de despedida ao general Patreus exaltou "a tradução de uma grande estratégia num grande sucesso em circunstância muito difíceis".

O "grande sucesso" tem uma grande dose de ilusionismo eleitoral. A redução da violência é real, mas não é suficiente para que o Iraque deixe de ser o local mais perigoso e violento de todo o planeta. Se em ano de relativa calma morreram "apenas" 250 soldados americanos, os iraquianos continuam a morrer às dezenas todos os dias.

E os desenvolvimentos políticos recentes prometem tempos agitados O primeiro-ministro Maliki para combater a oposição nacionalista tenta limpar-se da imagem de fantoche a tempo das próximas eleições. O governo ressuscitou um acordo de exploração de um campo petrolífero que Saddam tinha assinado com a Companhia Nacional de Petróleo da China e passados poucos dias encerrou as negociações para a atribuição de contratos com empresas ocidentais. Para deixar Bush ainda mais enervado o governo de Maliki tem dificultado a assinatura de um acordo para a presença americana após o fim do mandato das Nações Unidas que expira a 31 de Dezembro pondo a questão da retirada no centro do debate político. Mas aquela que é certamente a medida mais explosiva do governo é o ataque lançado contra os Conselhos Despertar. Estas milícias sunitas que, ao abandonarem a resistência a troco de um salário e da integração nas forças armadas iraquianas, deram o principal contributo para a redução da violência.

Se algum número permite avaliar o sucesso da ocupação é sem dúvida o número de soldados no terreno. A presença americana foi aumentada de 130 mil para 150 mil homens no início de 2007. Agora após a melhoria da situação o número vai ser reduzido para 139 mil homens pelo menos até Janeiro ou Fevereiro de 2009. O sucesso é tal que as forças de ocupação não podem regressar à estaca zero.

Obviamente Bush tudo fará para manter a "luz ao fundo do túnel" acesa pelo menos até às eleições presidenciais. Fica bem no seu legado entregar à América uma guerra à beira da vitória. E dá a McCain um importante trunfo na sua campanha, alimentando a esperança da continuidade do projecto neoconservador por mais quatro anos.

Rui Borges

 
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