Contradições e timidez… criar PDF versão para impressão
21-Set-2008
bruno_maia.jpgPor cá continuamos com um governo lascivo perante a teimosia das gasolineiras em baixar os preços de venda ao público, ainda que o custo do barril de petróleo continue a descer. "A subir todos os santos ajudam", a lógica do mercado é imparável.

A crise do sub-prime prossegue. Novos capítulos, novas histórias, novas contradições. O Governo Americano injectou, esta semana, 85 mil milhões de dólares na AIG, durante 2 anos, adquirindo 80% das suas acções. Nacionalização para os menos inibidos, intervenção do Estado para os mais incomodados. Na prática o Governo Americano passa a controlar a maior seguradora do mundo.

O presidente da AEP afirmava, num programa da RTPN, que a intervenção do Governo Americano e da Reserva Federal Americana eram condenáveis do ponto de vista ético, mas extremamente necessárias para a estabilização da economia internacional.

Os liberais não se coíbem de criticar a excessiva presença dos Estados Ocidentais na economia, não têm qualquer pejo em defender o fim do Estado social e a criação de um Estado mínimo em favor de uma sociedade de mercado na qual este é juiz de si mesmo. Argumentam que o mercado se regula a si mesmo - não precisa do Estado! E agora verificamos que esta é uma relação, no mínimo, egoísta e utilitária - o Estado serve para controlar a crise económica, para injectar os milhões dos contribuintes em grandes seguradoras mundiais. A contradição do liberalismo é a sua própria crise - não sobrevive sem a intervenção do Estado, mas detesta-a!

Por cá continuamos com um governo lascivo perante a teimosia das gasolineiras em baixar os preços de venda ao público, ainda que o custo do barril de petróleo continue a descer. "A subir todos os santos ajudam", a lógica do mercado é imparável. Mas quando são as regras do mercado que deveriam condicionar a diminuição da margem de lucro imediato, então já não serve. O Ministro da Economia vai enviando os seus recados pela televisão! Tímido! Muito tímido, como é aliás apanágio de Manuel Pinho.

Bruno Maia

 
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