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24-Set-2008
Natasha NunesNuma altura em que se fala (...) da necessidade de uma reforma ética e da humanização do capitalismo, em que tem sido mais politicamente correcto reclamar uma maior intervenção do Estado na economia, o governo PS não se afasta da sua linha de actuação...

As sondagens que têm circulado indiciam que as esquerdas à esquerda do PS partem bem posicionadas para a corrida legislativa de 2009. Em boa medida graças às escolhas e decisões do governo, ancoradas na cartilha neoliberal, preocupadas em procurar salvaguardar as oportunidades de acumulação dos mais dos mais ricos e despreocupados em afiançar aqueles que se encontram circunscritos ao círculo vicioso da pobreza e aqueles que recorrem cada vez mais ao endividamento, enquanto mecanismo de subterfúgio ao descaminho do nível de vida.

Numa altura em que se fala, e em que alguns sectores do PS falam, da necessidade de uma reforma ética e da humanização do capitalismo, em que tem sido mais politicamente correcto reclamar uma maior intervenção do Estado na economia, o governo PS não se afasta da sua linha de actuação: perante a instabilidade palpável da lógica do mercado livre e selvático não existe ímpeto reformista e a única resposta aos problemas resultantes da conjugação do ciclo internacional, com as persistentes debilidades da economia portuguesa, é ir aguentando o barco, à custa, naturalmente, da agudização da crise social.

Sócrates sabe que vai ser responsabilizado pela crise social em 2009. Antecipam-se algumas cedências, cujas dimensões serão explicitadas aquando da discussão do próximo Orçamento, mas tais cedências não passarão de paliativos. A comprová-lo está a votação, na semana passada, da revisão do Código de Trabalho. No essencial, as acções do governo continuarão a ir ao encontro do agrilhoamento dos mais pobres, frágeis e oprimidos, aos esquemas da precariedade e do acentuar das desigualdades. Sócrates continuará a cumprir o programa da direita, e por isso mesmo, num cenário de perda da maioria absoluta, mais próximo dela se achará do que de ninguém e apenas com ela se poderá associar num ensejo mútuo de participação nos jogos e nos círculos do poder e do dinheiro.

Uma oposição, consistente e agressiva, tem vindo a ser feita pelo Bloco, mas nem tudo são favas contadas. As sondagens também indicam que existe um número apreciável de eleitores indecisos a conquistar. Ao Bloco será fundamental um aprofundamento da mobilização, dentro e fora do Parlamento, levada a cabo nos últimos anos. Assim como será fundamental também a capacidade de, através da congregação de pensamentos e vozes à esquerda, cimentar, num programa governativo coeso, avançado e anti-capitalista, o alargamento da base social que já representa e quer vir a representar.

Natasha Nunes

 
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