Governar à esquerda? criar PDF versão para impressão
26-Set-2008
João DelgadoEm resposta a opinião aqui publicada, Paulo Pedroso dedica um curto post do seu blog a questionar as teses expressas. Porque, no fundamental, Pedroso não questiona o indivíduo, mas sim o Bloco, vale então a pena voltar ao tema.

Em primeiro lugar, esclarecer que a único facto acertado que a prosa de Pedroso contém é o título, onde lança o apodo de "homem de esquerda". Tudo o resto são pressupostos que não têm qualquer sustentação nem justificação, tal como a afirmação de que não ouvi a sua entrevista. Acontece que para além de a ter ouvido na íntegra, tive oportunidade de voltar a ouvir os excertos mais importantes, que estão disponíveis no sítio da TSF.

Ao lançar o desafio da resposta a três questões que considera serem "os pré-requisitos que seriam indispensáveis para se poder sequer pensar num governo plural de esquerda em Portugal", Pedroso cuida que isso poderá causar qualquer embaraço, como se não fossem temas mais do que clarificados no seio do Bloco de Esquerda, com naturais nuances na opinião, resultantes da natureza, essa sim plural, do nosso partido.

Mas indo directo às questões:

1 - Aceitação dos compromissos decorrentes da participação no Euro? A esquerda deve aceitar o Pacto de Estabilidade e Crescimento, com a sua obsessão pelo défice que leva a cortes nas despesas sociais, num país em que a pobreza e desigualdade crescem ano após ano? Não.

2 - Empenhamento na construção da União Europeia? Esta União que se quer construída no conluio dos gabinetes, fugindo ao debate e recusando a participação dos povos, como tristemente provado na farsa da Constituição? Não.

3 - Participação na NATO? Participar numa "organização que hoje não faz sentido" e que "está a tornar-se, por pressão dos neo-conservadores americanos, uma ameaça à paz", como diz Mário Soares? Não.

Noutras matérias relevantes, também não é necessário citar posições de dirigentes do BE ou quaisquer outros perigosos extremistas. Pedroso pode reflectir no que dizem destacados militantes do PS:

Sobre a escola pública: "O primeiro-ministro revela um grande desprezo e ignorância sobre a escola pública". Ana Benavente

Sobre o código do trabalho: "Continuo a não aceitar o desequilíbrio sistemático das leis laborais em desfavor dos trabalhadores." Manuel Alegre

Sobre o SNS: "Se os grandes grupos económicos estão a investir na saúde é porque sabem que dentro de pouco tempo está tudo desmantelado, e o Serviço Nacional de Saúde ficará para os coitadinhos". António Arnaut

É difícil aceitar a governação do PS, parece ser o que dizem estes socialistas. Falta saber se muda o PS ou se mudam de PS.

João Delgado

 
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