Dumping social: A concorrência desleal! criar PDF versão para impressão
29-Set-2008
Daniel BernardinoNa semana que terminou a comunicação social fez eco dos primeiros sinais de estarmos perante dificuldades nos próximos anos, que o diga a Faurecia, principal e maior fornecedor da Autoeuropa.
Os problemas surgiram a partir do momento em que se instalou no parque industrial da Autoeuropa a concorrência de empresas, com elevadíssima precariedade e não atribuição de algumas regalias e direitos aos trabalhadores.

Num momento conturbado como o que vivemos actualmente na indústria automóvel, um pouco por toda a Europa, são visíveis os primeiros sinais da quebra de volumes de produção no parque industrial da Autoeuropa. Os fornecedores "nacionais" sentem nas suas contas a diminuição das vendas e iniciam-se as primeiras ameaças aos postos de trabalho.

Na semana que terminou a comunicação social, local e nacional, fez eco dos primeiros sinais de estarmos perante dificuldades nos próximos anos, que o diga a Faurecia, principal e maior fornecedor da Autoeuropa, onde foram realizados plenários sobre este problema.

A Comissão de Trabalhadores (CT) foi confrontada, pela direcção da empresa, com a necessidade de haver uma redução da mão-de-obra para continuar a poder ser competitiva e manter a sua produtividade.

Num breve resumo passo a descrever, para situar os leitores o que tem acontecido nos últimos anos, mais concretamente a partir do ano 2005. Esta empresa perdeu para a sua concorrência directa, produtos que até então lhe eram atribuídos com naturalidade e normalidade, devido à sua grande capacidade e qualidade de construção dos respectivos componentes, neste tipo de indústria. Mantinha-se, e mantêm-se um ambiente de paz social, assegurados os direitos e as regalias dos trabalhadores e uma baixa precariedade, não só porque esta multinacional tem demonstrado saber respeitar os direitos dos trabalhadores como também pelo trabalho que a CT tem desenvolvido.

Recordo que foi pela instalação da concorrência directa, no parque industrial, que começaram a surgir os primeiros problemas para esta empresa, não que a concorrência não seja de salutar, muito pelo contrário, é sempre importante haver competitividade entre as empresas, mas não é isto que está em causa como poderão perceber um pouco mais à frente.

Na semana passada, fomos informados da necessidade da redução de trabalhadores e, confirmaram-nos que dos trabalhadores temporários que temos, num total de cinquenta ( 10% do total da fábrica), trinta sairiam até ao final do mês de Outubro, e que até ao final do ano, seria necessário, mais um ajuste nos efectivos de mão-de-obra indirecta, de dez a doze trabalhadores, com a agravante de no próximo ano podermos estar perante um iminente despedimento colectivo, mas sobre o qual ainda não existem dados suficientes para se avançarem mais pormenores.

Obviamente tudo isto foi apresentado em plenário aos trabalhadores e, agora, vamos tentar encontrar soluções para resolver o problema, semelhante ao que já vivemos em 2008 e conseguimos ultrapassar tal como temos vindo a habituar os trabalhadores de encontramos em conjunto saídas para as situações mais difíceis.

A nossa preocupação é o facto de estarmos perante um resultado que consideramos de enorme falta de respeito para com estes trabalhadores, os quais podem estar perante uma situação difícil, proximamente.

Os problemas surgiram a partir do momento em que se instalou no parque industrial da Autoeuropa a concorrência de empresas, com elevadíssima precariedade e não atribuição de algumas regalias e direitos aos trabalhadores. Estas empresas foram mediaticamente apresentadas pelos nossos governantes e ex governantes, como sendo investimentos de enorme importância para este complexo industrial, por se tratar de parcerias do tecido empresarial português com outras empresas estrangeiras. São empresas que fazem concorrência desleal pelos motivos anteriormente referidos, que além de não criarem empregos de qualidade e com direitos, colocam em causa aqueles que se prezam pela resistência aos mercados e têm lutado para manter os seus postos de trabalho com regalias, com qualidade e com direitos.

Não só temos de lutar pela nossa sobrevivência, como o temos de estar preocupados que outros tenham direitos iguais, para que estejamos em pé de igualdade quando concorremos a novos projectos.

Estamos portanto perante uma falácia estratégica do nosso governo, que continua a achar que os empregos que tem criado, para o pacote dos 150.000, a serem todos desta natureza fragilizados à partida, que nos afrontam e que colocam também aqueles que têm conseguido resistir ,à beira do abismo da fragilidade. Fazem com que estejamos a caminhar para a falência social dos trabalhadores.

Daniel Bernardino

 
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