Um Olhar Externo criar PDF versão para impressão
20-Out-2008
Há olhares críticos sobre a luta dos professoresO Jorge do Fliscorno deixou um comentário que merece destaque, pelo olhar que nos traz, exterior, ponderado, lúcido, mesmo se por vezes dizendo o que nem todos gostam de ler. No entanto, é nestas alturas que, mesmo que embalados, se torna indispensável ponderar outras perspectivas.

Post de Paulo Guinote, em "A Educação do Meu Umbigo"
 

"Caros, se me permitem meter o nariz...

Esforcei-me por ler os comentários anteriores e li boa parte. Noto a revolta e como me mantenho atento ao tema compreendo as motivações. No entanto, vós, professores, tendes votado favoravelmente o último acordo entre o ME e os sindicatos onde foram definidos os moldes da avaliação de que agora se queixam. Se isto não foi dar um tiro nos pés não sei o que será.

Registo também que a forma de oposição à política do ME se prepara para ser mais do mesmo pelo que, possivelmente, irá produzir os mesmos resultados das anteriores iniciativas. Se acham que antes atingiram os vossos objectivos então estão no bom caminho. Caso contrário, mais um tiro nos pés.

Visto da exterior posição em que me posiciono, ao eleitor que não seja professor pouco importa se estes terão que trabalhar mais, se mais estão a pedir reformas antecipadas e se lhes falta tempo para preparar aulas por causa da burocracia. No entanto, esta tem sido a vossa linha de argumentação. Ao eleitor interessa saber se os seus filhos estão a ser bem preparados, que estão em segurança na escola e que a despesa que terão suportar com a educação dos seus rebentos diminua. Se repararem, esta é a linha de argumentação do ME para convencer os eleitores sobre a bondade das suas políticas.

Permitam-me a ousadia de sugerir que são estes os argumentos do ME que vós precisais desmontar. Um outro aspecto consiste em encontrarem uma forma de resolver o problema dos habituais profs baldas e incompetentes. Notem, qualquer profissão tem maus profissionais e o ensino não constitui excepção. Acontece que as estruturas directivas das escolas toleram a sua presença e fecham os olhos. No fundo, permitem que turmas inteiras sejam mal preparadas, prejudicando os alunos e arruinando a reputação que os professores competentes constroem com o seu trabalho dedicado.

Acontece que a avaliação trazida pelo ECD não virá, na minha opinião, resolver este aspecto dos baldas. Sob a capa dos números do sucesso educativo, julgo que lá continuarão o seu habitual modo de trabalho, cumprindo certamente todos os aspectos da burocrática avaliação, mais do que melhor preparar os seus alunos.

A apresentação de propostas para resolver este grande problema traria sem dúvida a opinião pública para o vosso lado e dar-vos-ia, ainda, espaço para criticar o que está a ser feito pelo ME. Optando apenas pela crítica ao ME sem apresentarem alternativas apenas estarão a seguir os passos da vossa habitual "luta".

Os portugueses têm o hábito da lamúria e de esperar que alguém lhes resolva os problemas em vez de os tomarem pelas próprias mãos. Assim me parece também acontecer com os professores no geral.

Espero que não levem a mal a exteriorização deste meu estado d'alma.

Cumprimentos,
J."

 
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