A polémica das duas manifestações criar PDF versão para impressão
21-Out-2008

Correm vários apelos para a convergência entre sindicatos e movimentosCom uma diferença de apenas uma semana, estão marcadas duas manifestações nacionais de professores em Lisboa. Uma no dia 8 de Novembro convocada pela Plataforma Sindical e outra no dia 15 de Novembro, oficializada por novos movimentos de professores. Entretanto, multiplicam-se apelos para que sindicatos e movimentos convirjam para uma única grande demonstração de força dos professores. O Esquerda.net seleccionou alguns dos principais posts que correm na blogosfera e que versam sobre esta polémica.

 

Pró 15 de Novembro ou críticos dos sindicatos:



Um dos primeiros apelos à realização de uma manifestação no dia 15 de Novembro, feito por um professor a título individual:

"Todos à manifestação nacional no dia 15 de Novembro contra o modelo de avaliação atomista, complicado e burocrático, imposto pelo Ministério aos professores."

Vê o texto completo do apelo, em ProfAvaliação



"Ainda tenho uma ténua esperança na força da vontade colectiva. Por isso, espero que a manifestação de dia 15 se mantenha e não haja medo em separar as águas. Antes um ribeiro de água pura do que um rio cada vez mais poluído ... ."

Texto completo de João Pedro Costa, em "O Estado da Educação"



"Não é lançando insinuações sobre quem teve a ideia de concretizar a manifestação do dia 15, sugerindo ligações perversas à 5 de Outubro, que se desanuvia o ambiente e se criam condições para um diálogo franco e aberto entre os movimentos independentes de professores e os sindicatos."

"Aviso à Navegação" feito pela Apede



Carta Aberta do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores:

"Logo após a marcação da manifestação dos sindicatos para dia 8, em detrimento da manifestação já antes convocada de forma espontânea pelos professores para dia 15 de Novembro, os e-mails começaram a inundar a nossa caixa de correio, revelando que os professores estão atentos e preocupados."

Vê a carta completa, no blogue do MUP



"Vem agora o resumo, embora ache que já todos entenderam: dia 15 de Novembro, os 100 000 voltam, acrescidos de muitos outros, que agora sabem o que são 100 000, para rua. Dia 8 de Novembro, vêm os interesses dos Sindicatos e seus familiares fazer tristes figuras sectárias para a viela."

Texto completo no blogue Sinistra Ministra



"Já alguém,por parte da plataforma, avançou com uma justificação aceitável para a marcação desta data? Ou simplesmente trata-se de uma posição do tipo "Sindicato somos nós (e agora até já podemos ser titulares), portanto QUEM MANDA SOMOS NÓS". Ou não será claramente uma afronta aos professores, uma birrinha de quem se acha exclusivo detentor do poder de decisão em tudo ao que os professores diz respeito? Não seria muito mais lucrativo aproveitar a mobilização já entretanto feita e apoiar a manif do dia 15? Não estaremos perante o caso de os sindicatos estarem com medo que a classe veja que nos conseguimos organizar sem eles?"

Texto completo, no site do MUP



"Apela-se a todos os educadores e professores para que se mobilizem nas suas escolas e aluguem, no mínimo, um autocarro por escola/agrupamento, rumando a Lisboa, no dia 15 de Novembro de 2008. A faixa da escola/agrupamento que, certamente, os professores vão querer exibir em cada autocarro, ficará para a história da educação, em Portugal, como um ícone e um símbolo do orgulho em si próprios, na sua profissão e no investimento diário e abnegado que não lhes querem deixar fazer nos seus alunos, mostrando que os professores dessa escola/agrupamento não abdicaram, num momento decisivo, da sua dignidade pessoal e profissional."

Convocação da Manif de dia 15, no MUP



 Pró 8 de Novembro ou críticos dos movimentos:

"Em nome da Plataforma e da unidade construída, especialmente nestes momentos difíceis, apelamos à participação de todos os educadores e professores para que se juntem a esta iniciativa no dia 8 de Novembro, sem sectarismos, sem divisões. Os Sindicatos, numa sociedade democrática, são parceiros de negociação fundamentais; sem eles, a unidade não se constrói, não se concretiza. O tempo é de unidade. Não é de facilidades ao ME e ao Governo, que baterá palmas aos que apostam na divisão dos professores".

toda a notícia da convocação da manifestação de 8 de Novembro, no site da Fenprof




"A não ser que os "movimentos" se metamorfoseiem em pré-sindicatos (e aqui já seria inteligível a tentativa de antecipação em relação aos sindicatos e consequente protagonismo na marcação de uma acção de luta), não existe alternativa política."

Texto de Miguel Pinto, em OutrÒÓlhar

"Sem dúvida que ando desatento porque não dei conta que tenha havido milhares de professores (afinal sempre somos mais de 100 mil, mesmo com as aposentações que não param de ser pedidas) a serem consultados e a dizerem que queriam ir manifestar-se a Lisboa, exactamente no dia 15 e não noutro dia qualquer. (...) O melhor é ficar por aqui, porque para o meu frágil entendimento, ter ficado a saber que os comentadores mais ou menos anónimos de um blogue têm mais legitimidade para marcar uma manifestação do que outras organizações, mesmo que estas se sentem à mesa com o governo para decidir da minha vida profissional, é demais para um professor que não está habituado a emoções tão fortes."

Texto completo de Francisco Santos, em (Re)Flexões


"A luta está aí de novo, e continua já em 8 de Novembro, com todos aqueles (e são a maioria) que ainda não desistiram! Alguns decidiram manifestar-se, também contra os Sindicatos e chegaram a marcar data. Estão no seu direito, claro, mas o serviço que prestam não é, de forma alguma, aos Professores. Estou convencido que Lurdes Rodrigues agradecerá e continuará, nas entrevistas seguintes, a atacar os Sindicatos ou, também ela, a tentar denegrir a sua imagem."

Texto completo de Mário Nogueira, no site da Fenprof


 
"Isto é, para algumas pessoas os sindicatos não podiam marcar nenhuma manifestação, nem nenhuma data, sem fazerem uma (ou muitas, não fica claro) reunião (ões) com os professores. Tendo-o feito nessas condições são eles os divisionistas. Já um grupo de professores isolados pode ir a uma reunião que ninguém sabe ao certo quantos professores tinha presentes, e decidir que a manifestação legítima só pode ser dia 15 de Novembro."

Texto completo de Francisco Santos, em (Re)Flexões

Apelos à Convergência:

Apelo assinado por Paulo Guinote, João Madeira e Constantino Piçarra:

"Porque juntos os professores têm mais força para combater as políticas burocráticas e arrogantes do governo, apelamos ao diálogo entre sindicatos e movimentos para que, sem apagar as suas diferenças, convirjam numa grande manifestação de professores. Uma só manifestação, uma só voz, pelo fim do experimentalismo legislativo e pela qualificação da escola pública, e pelo fim da humilhação dos professores que são o seu rosto."

Lê todo o apelo no blogue "A Educação do Meu Umbigo" e em Movimento Escola Pública




Cartoon de apelo à convergência, no blogue Anterozóide


"Pessoalmente irei defender no interior do meu sindicato (SPGL) e na reunião sindical na minha escola, no dia 29 de Outubro, que se faça mobilização para o dia 8 de Novembro e se exija à plataforma sindical que seja dada a palavra, com tempo acordado entre as partes, aos promotores da manifestação de 15 de Novembro, pressupondo que haverá desistência dessa manifestação."

Texto completo de Joaquim Sarmento, em Movimento Escola Pública



Carta Aberta às Associações sindicais e não sindicais:

"(...)Caros colegas, apelo ao vosso bom senso, ao espírito de camaradagem, à vossa capacidade intelectual, à vossa elevada formação cultural, para que usem as vossas competências adquiridas com muita abnegação e as utilizem num projecto comum, revelando a faceta importante de uma classe responsável pelos destinos cognitivos, intelectuais e sócio-afectivos do país."

Texto completo de Mário Silva, em Movimento Escola Pública


"Para mim, os "movimentos" conseguiram o mais difícil que foi colocar os sindicatos na rua. Tendo conseguido isto só tínhamos todos a ganhar em que os movimentos se juntassem com força e convicção à manifestação de 8 de Novembro, cientes de que ganharam a luta principal. A guerra de protagonismos ficaria para outra altura: desmarcando a de 15 de Novembro e indo em força para dia 8, até seria uma "bofetada de luva branca" nos sindicatos."

Texto completo de Miguel Reis, em Movimento Escola Pública

"A divisão será o pior se acontecer no seio dos professores e em nada acrescentam as declarações anti-sindicais ou anti-movimentos. Todos fazemos falta, tal como aconteceu no passado dia 8 de Março. Quem protagonizar a divisão só irá dar mais força a um governo que despreza, massacra e procura destruir a classe docente e a Escola Pública e, será meio caminho andado para, mais cedo do que espera, ficar arredado da marcha inexorável da História."

Texto completo de João Vasconcelos, publicado originalmente em Fénix Vermelha



"O Movimento Escola Pública Igualdade e Democracia considera indispensável, e mesmo decisivo, a existência de uma grande manifestação nacional de professores em Novembro, sendo de todo desejável que não haja divisões, porque juntos e sem medo teremos mais força. Apelamos por isso a todos, sindicatos e movimentos que já avançaram, para que cheguem a acordo para uma mesma data de manifestação."

Publicado em Movimento Escola Pública



"Sou sindicalizado no SPGL, mas estava a pensar ir à manifestação de dia 15, no pressuposto de que seria a única manifestação que haveria. Depois (quando me deparei com duas manifestações) cheguei a pensar - caso não haja entendimento vou tentar ir às duas. Mas acho isto, à partida, um absurdo (nas actuais circunstâncias)"

Texto completo de João Paulo Maia, em "A Educação do Meu Umbigo"



"TOTALMENTE de acordo com o que aqui se tem dito, os Sindicatos deveriam ter seguido a vontade dos Professores.Mas não o fizeram...mas a nossa LUTA, repito, agora deve ter outro alvo e só JUNTOS e não divididos o conseguiremos. Porque não dar uma bofetada de luva branca? Porque não irmos TODOS dia OITO, sem bandeiras, atrás dos sindicatos (na cauda, se quiserem)? Até podemos levar uma faixa a dizê-lo, do género SOU PROFESSOR/A NÃO SINDICALIZADA/O!"

Texto completo de Francisca S.Lopes, em "A Educação do Meu Umbigo"



"A menos de um ano das eleições legislativas, um mega manifestação de professores nas ruas de Lisboa fará tremer o Governo. Será uma de várias a realizar ao longo do ano lectivo. A oportunidade para uma manifestação conjunta ainda existe. Por favor, sindicatos e associações promovam uma reunião. Discutam tudo nessa reunião e deixem as divergências para trás. Façam uma única manifestação."

Texto completo de Ramiro Marques, em ProfAvaliação



"O momento é demasiado crucial para que a divisão dos professores se mantenha. É preciso apagar o orgulho e o ressentimento que tomou conta dos nossos corações."

Texto completo de Ramiro Marques em ProfAvaliação



Outras Posições:



"Esta evocação é curiosa porque, se quiséssemos forçar uma analogia com o presente da contestação docente, seria algo irónico identificar quem será o actuak Kerensky, algo assustado com a agitação das massas pelas ruas e destinado a ser ultrapassado pelos acontecimentos."

Texto completo de Paulo Guinote, em "A Educação do Meu Umbigo"


"Nos últimos dias circularam diversos apelos, tanto aos movimentos como à plataforma sindical, para que se chegasse a um acordo e se fizesse uma única e grandiosa manifestação. Foram e são em vão esses apelos, e isso acontece porque os dirigentes de um e outro lado estão presos às suas próprias teias.."

Texto completo de Francisco Santos, em (Re)Flexões


"Agora mais a sério: estou a pensar ir então às duas manifestações que se adivinham para a primeira quinzena de Novembro. Não me parece que seja bem recebido pelos promotores de uma delas se for reconhecido (mas levarei um boné enterrado até aos olhos...), mas como são eles que dizem que nos devemos «unir», espero que à chegada não me mandem desunir ou desandar"

Texto completo de Paulo Guinote, em "A Educação do Meu Umbigo"

 
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