Escola inteira arrasa actual avaliação de professores criar PDF versão para impressão
28-Out-2008
Os professores avisam que a qualidade do ensino é posta em causa por este modelo de avaliação de desempenhoO conselho executivo do Agrupamento de Escolas Aristides de Sousa Mendes (Póvoa de Santa Iria) elaborou um documento, assinado por todos os membros da direcção da escola e pela totalidade dos professores do agrupamento (123 professores, do 1º, 2º e 3º ciclos) exigindo a suspensão deste modelo de avaliação de desempenho e a sua substituição por um processo simplificado.  


O documento é extenso, foi publicado no blogue do Movimento Escola Pública, e vale a pena ser lido até ao fim. É assinado pela totalidade dos professores do Agrupamento de Escolas, incluindo todos os professores do Conselho Executivo.

Em todo o texto perpassa a preocupação com o trabalho dos alunos, que com esta avaliação de professores tende a ser relegado para segundo plano. "Desde muito cedo se começou a verificar que, além das horas que gastamos em reuniões, as horas que os coordenadores/avaliadores irão despender a assistir a aulas de todos os professores do seu departamento, irão absorver por completo o tempo e a atenção dos professores avaliadores." E os professores questionam: "Com todo o trabalho e responsabilidade subjacentes a este processo de avaliação, a qualidade da prática pedagógica com as suas turmas poderá ser garantida?"

As inúmeras reuniões e fichas de avalaliação por preencher põem em causa o trabalho mais importante dos professores: "Os docentes, habituados durante toda a sua vida profissional a estabelecer objectivos para todos os seus alunos e, muitas vezes diferenciados, caso as necessidades dos alunos assim o "obriguem", que sempre se traduziram nos seus objectivos, vêem-se agora a braços com o estabelecimento dos seus objectivos individuais, não lhes sobrando tempo para definir os objectivos para os alunos ou a elaboração dos projectos curriculares de turma, ou ainda a preparação de aulas, as reuniões de conselho de turma e as reuniões de departamento curricular, acrescentando-se ainda as reuniões com os encarregados de educação."

Só no caso da Presidente do Conselho executivo serão "cerca de 133 reuniões com todos os docentes a ser avaliados, no início do processo de avaliação e mais 133 no final para transmitir os resultados da avaliação." No caso dos professores coordenadores, "o número de reuniões não tem conta, dependerá da necessidade que os professores sentirem de acompanhamento e formação, porque a eles cabe toda a responsabilidade do processo avaliativo".

Os docentes da escola consideram ainda que o actual modelo de avaliação de desempenho é injusto porque "não coloca todos os docentes no mesmo plano de igualdade, uma vez que os resultados da avaliação externa dos alunos (exames de 9º ano) só serão tidos em conta na avaliação de desempenho dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática (no 3º ciclo) e, por isso, só eles poderão ser prejudicados por uma avaliação feita pelo Ministério da Educação aos seus alunos." Por outro lado, "docentes avaliados com os memos critérios e resultados obterão uma menção diferente, mais baixa que outros, apenas por uma questão de estatística, para cumprir as cotas para os níveis de Excelente e Muito Bom.".

No final, contestam também a influência dos resultados escolares dos alunos na avaliação dos professores, dado que "inclui factores alheios à competência, vontade e esforço dos professores, nomeadamente, as condições físicas das escolas, os recursos didácticos disponibilizados e as características pessoais e sócio-culturais dos alunos (que são um factor importantíssimo do sucesso ou insucesso)."

O ambiente de desconfiança gerado entre docentes, pois muitas vezes o avaliado não reconhece no avaliador autoridade (em termos científicos e pedagógicos) superior à sua" é outro dos motivos de instabilidade na escola criado por este processo.

Como conclusão os professores exigem o retorno à avaliação simplificada que vigorou no final do ano lectivo passado. "Assim propomos que a avaliação para todos os docentes, relativa ao biénio de 2007/2008 e 2008/2009 seja em conformidade com o proposto no Decreto Regulamentar nº 11/2008, de 23 de Maio, que se traduz no preenchimento da ficha de auto-avaliação, incluindo os objectivos individuais, devendo esta avaliação simplificada ficar concluída até ao final do mês de Agosto de 2009".


Consulta também o dossier "Professores em Luta" com informação actualizada sobre as posições colectivas nas escolas

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