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21-Out-2006
BUSH "RECENTRA" ESTRATÉGIA PARA O IRAQUE
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The week the war unravelled: Bush to 'refocus' Iraq strategy" artigo de Rupert Cornwel em Washington, publicado no Jornal The Independent de Sábado 21 de Outubro de 2006.
Numa nova admissão da crescente crise no Iraque o Presidente Bush está a realizar hoje consultas de emergência com os seus generais superiores para ver se é necessária alguma mudança de estratégia para enfrentar a escalada de violência aparentemente fora de controlo.

 

Dois dias depois de ter admitido similitudes entre o Iraque de hoje e o Vietname de há uma geração, o senhor Bush disse que ia discutir o agravamento da situação com o general John Abisaid, comandante-chefe americano para o Médio Oriente, e com o general George Casey, comandante dos 145000 militares americanos no Iraque.

"Estamos constantemente a ajustar tácticas para ver como alcançamos imediatamente os nossos objectivos" disse Bush. "Uma das razões porque estamos a ver mais incidentes é que o inimigo está activo e também as nossas tropas."

As palavras de Bush culminam uma semana especialmente desastrosa em três anos e meio de guerra, em que a estratégia dos aliados parece precisar de ser deslindada, perante a brutal sangria no Iraque e o crescente criticismo interno, incluindo na cabeça do próprio Partido Republicano.

Começou com a consternação em Londres e Washington pelos reparos do general Richard Danatt, chefe do estado-maior, de que a presença das tropas estrangeiras podiam estar a "exacerbar" a situação no Iraque, palavras entendidas como um apelo do chefe de estado-maior britânico para a rápida saída das forças da coligação. Apanhado em contramão Blair primeiro insistiu que não haveria retirada "até que o trabalho estivesse feito", dizendo que essa era também a opinião do general Danatt. Na 4ª feira, apenas 24 horas depois, o primeiro-ministro exprimia o desejo de que os britânicos e os norte-americanos deixem o Iraque o mais rapidamente possível citando a opinião do general Casey de que as forças de segurança poderiam assumir o controlo dentro de 12 e 18 meses.

O mesmo debate estalou em Washington. Quase diariamente surgiram notícias de massacres sectários e baixas militares com as tropas norte-americanas e tentarem em vão deter a violência sectária entre sunitas e xiitas e enfrentar a revolta anti-americana. Setenta e quatro soldados americanos morreram durante o mês de Outubro, até agora, tornando-se o mês mais sangrento desde Janeiro de 2005. O número de mortes nas forças aliadas, ultrapassou esta semana o mês de Setembro em 11 baixas.

Simultaneamente, Washington está visivelmente a perder a paciência com Nouri al-Maliki, primeiro-ministro do Iraque, que se tem mostrado incapaz e relutante a controlar as milícias xiitas que controlam já largas áreas do sul. Ontem, a mais poderosa das milícias, chefiada pelo clérigo anti-americano Moqtad al-Sadr, tomou o controlo da cidade de Amarah no seu acto mais ousado. Um dia antes, os comandantes norte-americanos admitiram que o prazo dado há dois meses pelas forças americanas e iraquianas para pacificar Bagdad tinha, de facto, falhado, pelo que as medidas de segurança teriam de ser "recentradas". Um processo semelhante está agora a passar-se na América, com as sondagens ao Presidente Bush a caírem significativamente, e com os republicanos a terem de encarar a perspectiva de derrota nas eleições de 7 de Novembro, em ambos os casos devido em primeiro lugar à aversão pública a uma guerra que 66% dos americanos considera agora que foi um erro.

Num certo sentido, o debate é um assunto de semântica, a diferença entre táctica e estratégia. O senhor Bush repetiu aos jornalistas que os comandantes norte-americanos estavam a "ajustar constantemente" a táctica para levar a cabo os seus objectivos mas, o seu assessor insiste, a estratégia "vitória" permanece inalterada. Seria "um abandono do dever" se os generais não ajustassem a táctica para enfrentar uma situação a deteriorar-se, disse Tony Snow o porta-voz da Casa Branca.

Oficialmente o objecto da administração mantém-se inalterado, criar um Iraque estável que se possa governar a si próprio e ajude na luta contra o terrorismo. Esta visão não mudará. "Ele [o senhor Bush] não é uma pessoa que oscila com as sondagens", declarou Snow. Mas tão amplas certezas estão longe de satisfazer os membros chave do seu próprio partido.

A lista de senadores e congressistas republicanos que proclama que o actual estado de coisas não pode continuar por muito tempo cresce diariamente.

A chave da mudança pode estar na comissão independente chefiada pelo antigo secretário de Estado Jamea Baker, que está a examinar opções para uma nova estratégia para o Iraque e entregará o seu relatório em Janeiro.

Estas preocupações ganharam força com a inesperada concessão de Bush de que "poderia haver" um paralelo entre a ofensiva do Tet lançada pelos norte vietnamitas e pelos vietcong em 1968, quando a opinião pública norte-americana virou contra a guerra, e a actual onda de violência no Iraque.

Entre as opções que estão a ser discutidas estão uma retirada faseada das tropas, uma espécie de confederação para o Iraque (que os críticos dizem caminhar para a divisão) e mesmo conversações directas com a Síria e o Irão para apoiarem.

Opções militares

* Corta e segue

A mais improvável opção, que poria em perigo o governo iraquiano e abriria uma perigosa brecha que podia ser explorada pelo exército rebelde dos jihadistas islamistas. Uma admissão de derrota podia levar à guerra civil e à divisão do Iraque. Mas as mortes de militares britânicas seriam mantidas baixas.

* Retirada progressiva

A opção provável, mas a credibilidade da política de Bush/Blair de sair só quando o "trabalho estiver feito" e a ajuda na segurança aos iraquianos, seriam minadas pela retirada faseada enquanto o conflito se desenvolve.

* Reforço de tropas

 O senador republicano John McCain quer mais 15000 militares para juntar aos 132000 que estão no Iraque. Mas parece muito tarde para esta opção. Seria impopular na opinião pública americana e britânica, muito improvável.

* Negociações

Os Estados Unidos deviam conversar com o Irão e a Síria, diz James Baker, o antigo secretário de Estado americano, que encabeça um painel de estudo a pedido do senhor Bush. Contactos com os líderes rebeldes podiam também ser desenvolvidos. Uma opção provável porque os Estados Unidos e a Grã-Bretanha sabem que não pode ser imposta uma solução militar.

* Confederação

Alguns politicos e analistas dizem que as zonas xiita, curda e sunita poderiam desenvolver-se separadamente com um governo central fraco. Mas dada a profunda rivalidade é provável que esta opção conduza à guerra civil e/ou a uma "solução de três Estados".

 
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