O movimento anti-guerra tem de continuar a luta pela paz criar PDF versão para impressão
06-Nov-2008
Manifestaçãoo dos veteranos de guerra nos EUA. Foto de Mark and Tinka, FlickRDurante o debate eleitoral final para a Presidência dos EUA, na Universidade de Hofstra, em Hempstead, Nova York, membros dos Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW) solicitaram ao moderador, Bob Schieffer, que lhes permitisse colocar uma questão a cada um dos candidatos.

Por Camilo Mejía


A questão dirigida ao senador McCain era sobre as regalias dos veteranos, uma vez que este candidato é um antigo veterano e prisioneiro de guerra e esperava-se da sua parte uma intervenção mais participativa ao nível político nesta matéria, no que concerne ao bem-estar dos veteranos de guerra. A questão dirigida ao senador Obama indagava se o candidato estaria disposto a apoiar militares que desejassem tornar-se objectores de consciência, dado ter votado contra a invasão do Iraque, denominando-a, em determinada altura, de invasão ilegal.

Não só não foi permitido à IVAW colocar as perguntas, como nós, os activistas, sofremos uma investida da Polícia Montada de Hempstead. Dez membros da IVAW, bem como alguns activistas civis, foram detidos e dois dos nossos membros feridos, um deles sofrendo uma fractura na face. Nenhum dos candidatos mencionou quer o Iraque, quer o Afeganistão durante os 90 minutos de debate.

A promessa de uma nação melhor, em que os seus recursos se destinem a melhorar as condições sociais e em que a riqueza seja distribuída para melhorar as classes trabalhadoras da sociedade, parece esvaziada de sentido, quando aos militares veteranos não lhes é sequer permitido colocar uma questão, sem que sejam reprimidos violentamente. Tudo isto para dizer que, independentemente de quem seja eleito, o labor de construir um mundo melhor permanece nas mãos das pessoas, e na nossa capacidade de nos afirmarmos como verdadeiros arquitectos e arquitectas do nosso futuro.

Obama é olhado como o candidato anti-guerra, devido ao seu voto contra a invasão do Iraque e à promessa de retirada progressiva e gradual das tropas daquele país. Contudo, quer ele quer McCain têm referido o sucesso da decisão de George W. Bush, de 2007, de "reforçar" as tropas no Iraque.

Mas para lidar seriamente com a situação no Iraque e a eventual saída deste país, Obama deveria referir as 180 mil empresas privadas no Iraque, as bases militares permanentes e o complexo empresarial e diplomático a partir do qual os EUA pretendem gerir o país. E claro, o "sucesso" do envio de reforços em 2007 que não logra reconhecer que mais de metade da população do Iraque se encontra quer deslocada, quer com necessidade de receber ajuda humanitária, quer morta.

A "guerra global contra o terror", designação empregue pelas administrações no passado e no presente para justificar invasões e ocupações geradas pela necessidade de lucro, necessitam de um novo cerne. A guerra do Iraque tornou-se demasiado impopular para justificar a sua continuação na agenda imperial norte-americana.

Não poderemos permitir a nenhum presidente que passe a concentrar-se no Afeganistão, de forma a continuar a beligerância americana. O presidente Obama prometeu continuar a enviar tropas para aquele país e ver a guerra estender-se ao Paquistão, se considerar necessário.

O movimento anti-guerra tem de assumir a necessidade de continuar a luta pela paz e pela justiça uma luta que começa em casa, onde, opondo-nos a guerras ilegais e caras, levamos a cabo batalhas contra a pobreza, o racismo e a exploração das classes trabalhadoras pela elite dominante.

Apenas construindo verdadeiros movimentos de base, para combater um governo controlado pelas grandes empresas, é que poderemos criar um mundo onde a paz, a justiça e a igualdade social possam prevalecer. Esta é a tarefa do povo e não dos políticos, independentemente de quem seja o presidente. Tem estado a acontecer, continua e não poderá nunca parar, nem por um só minuto.

Camilo Mejía é o presidente da direcção da organização Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW), e foi o primeiro militar no activo a exprimir publicamente a decisão de recusar a sua reincorporação para a guerra do Iraque.

Tradução de Cláudia Belchior

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