Da democracia na América criar PDF versão para impressão
03-Nov-2008
João Delgado30 minutos de tempo de antena na Fox, CBS e NBC, por uma mão cheia de milhões de dólares, foi quando Barack Obama despendeu, uma pequena fatia dos 600 milhões que arrecadou para a campanha que o deverá conduzir ao estatuto de novo sorriso do imperialismo americano.

Por cá, não falta quem à esquerda se tenha entusiasmado com este fenómeno da política milionária americana, alegando a imprescindibilidade de alijar Bush e os neocon da Casa Branca. Mas o que tem exactamente de esquerda um personagem que ambiciona matar Bin Laden, enviar mais três brigadas para o Afeganistão e uma capital de Israel indivisa em Jerusalém?

É certo que parte desse entusiasmo se relaciona com uma genuína congratulação por um não branco poder aceder ao topo do império. Mas se é esse o motivo, idêntica congratulação não deveria ter existido em relação aos republicanos, que promoveram Powell e Condoleezza?

Na verdade, o que acontece é que somos de tal forma subjugados pela torrente de (des)informação que vem dos States, que às tantas até nos esquecemos que existem outros candidatados à presidência e que, se lá estivéssemos, decerto as nossas opções não iriam para Obama.

E como ainda se está a tempo de mudar de "voto", aqui ficam algumas sugestões a avaliar:

Ralph Nader e Matt Gonzalez : Nader é um conhecido activista cívico, nomeado pela Time Magazine como um dos 100 Americanos Mais Influentes do Século XX, e já foi candidato nas três últimas eleições, pelo Green Party ou como independente. Por isso mesmo carrega o fardo de ter "impedido" a eleição de Al Gore, em 2000, ao obter 2,7% do voto popular, aproximadamente a mesma percentagem que lhe atribuem agora as sondagens. Quanto a Gonzalez, é um activista que lutou pela criação de um salário mínimo em São Francisco, que inclui um mecanismo de aumento anual de acordo com a inflação; disputou pelo Green Party a câmara de SF, tendo obtido 47% dos votos.

Brian Moore e Stewart Alexander (Socialist Party) - Brian participou nos protestos contra a guerra do Vietname e lidera na Florida a coligação contra a guerra no Iraque; defende uma transformação fundamental da economia, centrando-se nas necessidades humanas e não nos lucros, através da apropriação pela comunidade da indústria e das instituições financeiras, sob controlo dos trabalhadores. Alexander defende a abolição do Patriot Act e opõe-se  à espionagem interna dos cidadãos e grupos contra a guerra.

Cynthia McKinney e Rosa Clemente (Green Party) - Defendem a eliminação de todas as disparidades na saúde, educação, habitação, propriedade e justiça social. Acreditam que o governo federal é obrigado a implementar uma política económica que proporcione uma oportunidade de todas as famílias terem um emprego e um rendimento garantido. Cynthia foi membro da Câmara dos Representantes pela Geórgia e Rosa é activista comunitária e jornalista independente. Noam Chomsky é o mais notável apoiante da candidatura.

Se estas três candidaturas não convencerem ninguém a deixar de ser obamista, fica um último argumento: Pires de Lima anunciou recentemente ter deixado de ser apoiante de McCain e ter-se convertido ao Yes we can.

João Delgado

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