Quanto custa a nacionalização? criar PDF versão para impressão
07-Nov-2008
Helena Pinto

A maioria aprovou a nacionalização do Banco Português de Negócios, ontem no Parlamento. Os sucessivos administradores do BPN criaram uma situação de falência, devido a acções obscuras em off-shores, acções ilegais e outras acusações que são mesmo crime. Por isso está a ser investigado, não só pelo Banco de Portugal, mas também pelo Ministério Público.

Os sinais desta situação não são de agora, alguns reportam mesmo ao ano de 2002. Já esta escandalosa situação era conhecida quando o Estado injectou dinheiro no BPN através da Caixa Geral de Depósitos e, mais grave ainda, foram lá colocados muitos milhões de euros das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social.

O Governo não responde a esta questão, os ministros contradizem-se e não esclarecem quantos milhões da Segurança Social foram depositados directamente para o BPN. A situação é de limite, por isso o Governo propôs a nacionalização do Banco.

Outra saída não era possível. Mas faz aprovar uma Lei onde não é garantido aquilo que a clareza e a decência exigem: que nem um cêntimo do dinheiro dos impostos de todos nós vai ser utilizado para pagar indemnizações milionárias a quem cometeu fraude e crimes que levaram um banco à falência.

A nacionalização é necessária, não há aliás outra saída, mas com ela não pode vir um branqueamento da situação a que se chegou e muito menos alguma gratificação para os seus responsáveis. Em tempos de Orçamento do Estado, que não responde aos principais problemas do país, as facilidades sem contrapartidas para o sector financeiro são a marca do Governo de José Sócrates.

Helena Pinto

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