OE 2009: crise, recessão e desigualdades criar PDF versão para impressão
08-Nov-2008
João SemedoA maioria PS aprovou, sozinha, o orçamento proposto pelo seu governo. O último orçamento do governo José Sócrates. O último e o pior. O último, felizmente, o pior, infelizmente. Pior porque deixará o país e os portugueses em pior situação do que já estavam. Pior ainda porque, sendo anunciado contra a crise, é um orçamento que não responde à crise, ao contrário serve a crise e multiplica os seus efeitos.

Com este orçamento, a estagnação económica dá lugar à recessão, o desemprego a mais desemprego, a crise social a mais pobres e a maiores desigualdades.

Apesar da crise, que antes era ignorada e negada mas que agora serve de álibi para umas coisas e de pretexto para outras, o governo repete resignado e sem imaginação a receita dos anteriores orçamentos: privatizações, parcerias público-privadas, corte nos serviços públicos e despesas sociais. O orçamento do SNS "cresce" abaixo da inflação prevista.

Marca da governação do PS, este orçamento prejudica e desprotege os mais fracos e os que vivem do seu trabalho mas beneficia e protege os mais fortes e os que vivem da especulação e da exploração.

Para avales e créditos à banca - que somam 16 % do PIB, para salvar bancos falidos e quem os levou à falência, para abrir novas oportunidades de negócio imobiliário e limpar os passivos bancários, o governo não perdeu tempo a encontrar e a oferecer os milhões que os banqueiros reclamavam para salvar a face, a pele e, claro está, o negócio. Nem o défice nem a dívida pública travaram a generosidade do governo.

Ao contrário, para os funcionários públicos, para os trabalhadores, para os reformados, ou para os serviços públicos e para o apoio e protecção social de quem mais precisa, o governo não é nada generoso e no orçamento o que encontramos é poupança e atavismo social.

O orçamento apresentado pelo governo não é capaz de responder à crise económica e social, não impede a recessão da economia portuguesa nem o agravamento das desigualdades e das dificuldades que tornam a vida das famílias portuguesas num inferno diário.

Este orçamento serve a crise mas não serve os portugueses. A crise não serve os portugueses mas serve o governo.

João Semedo

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