Retrato de um movimento enquanto luta criar PDF versão para impressão
12-Nov-2008
Jorge Costa

Comprovada a unidade, há três boas razões para acreditar na vitória dos professores.

1. Os professores não estão isolados

O governo tentou a caricatura: os professores fazem tudo por um privilégio - escapar a qualquer avaliação. Poucas semanas bastaram para desmontar essa ideia. Este modelo de avaliação é um tsunami de burocracia que bloqueia a escola e afasta os professores das suas funções (preparar boas aulas, apoiar os alunos, participar na vida pedagógica). Trata-se afinal dos interesses dos alunos e de uma ideia de escola pública. A população e, em particular, os pais compreendem-no cada vez melhor.  

2. Os professores não esperam

Como classe profissional, os professores não podem dispensar o sindicato. É um instrumento fundamental, onde se devem organizar para a luta e representar na reivindicação. Mas virou-se uma página: a rotina sindical, a tutela e a conciliação, não sobrevivem à capacidade de iniciativa dos movimentos de base. A internet acabou com o monopólio das estruturas sindicais sobre a informação do que se passa nas escolas a nível regional e nacional. Abriu-se assim o caminho para alternativas à hesitação, para a difusão de convocatórias e de exemplos concretos de resistência. Foi essa dinâmica de muitas pequenas entidades que impôs uma reacção rápida e uma manif-gigante no sábado passado. Foi essa dinâmica que impulsionou as primeiras recusas à aplicação da avaliação.  

3. Os professores não obedecem

Os professores têm a razão e têm a força. Ao impedirem o abuso de autoridade, ao recusarem aplicar uma lei injusta, os professores assinam a certidão de óbito deste modelo de avaliação. Para vencer, a desobediência precisa do apoio sindical e dos sectores sociais e políticos em defesa da escola pública. Mas, sobretudo, precisa que os professores insistam na brilhante lição de firmeza que têm dado ao país. 

Jorge Costa

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