O candidato da direita criar PDF versão para impressão
14-Nov-2008
Bernardino Aranda

Santana Lopes deu no Domingo passado uma entrevista à revista do Público.

Na sexta-feira, o Público e todos os outros jornais davam nota disso mesmo: Domingo, sairia uma grande entrevista em que Santana, humildemente, se disponibilizava para 2 mandatos como Presidente da CML e que seriam mesmo para cumprir até ao fim! Segundo ele, mesmo que o chamassem para líder do partido, Primeiro-ministro ou Presidente da República, já não sairia da Câmara.

Nessa mesma noite, Santana Lopes conseguiu ainda ir à televisão.

Não creio que os 2 jornalistas que o entrevistaram tivessem sido condescendentes com o candidato a candidato, mas seria de facto necessária maior preparação para estes temas.

Por exemplo, à pergunta das dívidas do município, Santana respondeu que o município já tinha dívidas quando assumiu o mandato.

Esta questão é recorrente: é como se o passivo da CML fosse matéria de opinião em vez de matéria de facto, que está clara nos documentos financeiros da Câmara.

Os jornalistas passaram à pergunta seguinte, mas é necessário esclarecer que nos 6 anos de gestão PSD/CDS, o passivo aumentou 140%. Mais do que duplicou! E é preciso perguntar como é que foi possível gastar tanto dinheiro e chegar ao fim dos 6 anos com a cidade pior do que o que estava.

Os jornalistas lembraram que o Parque Mayer não ficou "novamente com vida em 6 meses", como prometido. Santana respondeu que não tinha maioria na Assembleia Municipal.

Passou-se à pergunta seguinte, mas é necessário esclarecer que a aquisição dos terrenos do Parque Mayer à Bragaparques, está ainda hoje nos tribunais, não porque o PSD não tivesse a maioria absoluta na AML (que por acaso até tem agora), mas porque todo o negócio está envolto em graves e evidentes suspeitas de ilegalidades e favorecimento à empresa.

Santana argumentou que tem obra, que fez piscinas e o túnel do Marquês.

Mas convém também dizer que o túnel teve um custo de construção - e tem um custo de manutenção - absolutamente desproporcionado para os benefícios que trouxe à cidade. Aliás, há mesmo dúvidas razoáveis de que tenha trazido algum benefício, uma vez que contribuiu para um maior congestionamento do trânsito na Av. Liberdade, no sentido Baixa-Marquês, e facilitou a entrada de mais carros no centro da cidade. Tudo isto, num momento em que o tema é investir para libertar a Baixa de carros e dificultar o acesso de automóveis particulares ao centro da cidade.

Sobre as piscinas, é necessário dizer que do slogan "Uma piscina em cada bairro", ficaram 6 piscinas, que tiveram de encerrar depois da sua inauguração por não terem sido acautelados os meios materiais e humanos para o seu funcionamento, e que ainda hoje, provavelmente por terem sido concebidas e construídas à pressa, têm algumas gravíssimos problemas, que obrigaram a intervenções profundas e extremamente dispendiosas...

Afinal, é do somatório de todos estes pequenos episódios que se consegue compreender o tal aumento de quase 800 milhões de euros do passivo em apenas 6 anos.

Bernardino Aranda

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