Web 2.0 criar PDF versão para impressão
28-Out-2006

REVOLUÇÃO OU JOGADA DE MARKETING?
web20revolutionwebA Web 2.0 é realmente uma segunda onda, uma segunda fase da World Wide Web, a teia mundial inventada em 1991 pelo britânico Tim Berners-Lee, que foi responsável pela popularização fulgurante que a rede teve a partir dessa data? Ou é apenas mais uma moda, uma jogada de marketing que não traz qualquer revolução à Internet? A discussão está aberta, e provavelmente nunca se vai concluir até que a próxima buzzword (palavra-de-ordem) entre na moda. Seja como for, vale a pena observar o que significa realmente Web 2.0.
Texto de Luís Leiria

O termo Web 2.0 foi usado inicialmente em Outubro de 2004 pela O'Reilly Media e pela MediaLive International. Serviu de nome a uma série de conferências sobre o tema, popularizando-se rapidamente a partir de então. A segunda geração da Internet seria composta por serviços que facilitam a colaboração e a troca de informações entre as pessoas, de uma forma que não existia antes.

Estes recursos seriam os wikis - cujo exemplo máximo é a Wikipédia -, que permitem que um grande número de pessoas trabalhe sobre um mesmo texto, aperfeiçoando-o, corrigindo-o ou acrescentando informações; seriam também os blogues, que popularizaram e fizeram expandir astronomicamente as antigas homepages pessoais; seriam ainda as chamadas "redes sociais", como o Myspace ou o Orkut, sistemas de sites que facilitam a procura de outras pessoas com os mesmos gostos ou afinidades, para trocar músicas, vídeos ou mensagens, marcar encontros, etc.; recursos como o YouTube ou o Flickr, de partilha de vídeos e de fotografia fariam também parte integrante da Web 2.0, assim como o Google Maps, o Google Earth, o Google Calendar e o Google docs and spreadsheets, o editor de texto e a folha de cálculo lançados recentemente pela Google e que funcionam exclusivamente online, sem ser necessário ter instalado no computador mais que um browser. Outro recurso muito citado é o BiTorrent, ou o e-Mule, os mais populares sistemas de ponto-a-ponto ou peer-to-peer (abreviadamente, P2P), que permitem a partilha de todo o tipo de ficheiros. E ainda os RSS e Podcasts, que permitem levar informação escrita ou programas de rádio automaticamente a quem tenha feito uma assinatura (subscription) online do serviço.

A verdade é que são tantos os serviços que é lícito pensar-se que, mesmo que não tenha havido revoluções na tecnologia, houve de facto mudanças significativas na maneira como as pessoas se relacionam com a Net e, através da rede, se relacionam umas com as outras. Que o digam os bloggers, ou os utilizadores do YouTube, que todos os dias fazem o upload de 65 mil vídeos domésticos.

 "Ninguém sabe exactamente o que é a Web 2.0"

Tim Berners-Lee não concorda muito com isso. O criador da Web, afinal, sempre encarou a rede como uma maneira de troca de informações de todos para todos. E, por isso, o seu primeiro navegador (browser) da Web, desenvolvido no sistema operativo NeXt (que, para aquela altura, tinha recursos gráficos fantásticos), já incluía igualmente um editor de html, para que as pessoas pudessem facilmente criar as suas próprias páginas. Tal, porém, não aconteceu. Os primeiros editores de html eram demasiado complicados, havia demasiados comandos e códigos para aprender. Pôr uma página online não era assim tão fácil. E foi ficando mais complicado à medida em que a Web foi evoluindo.

Mesmo assim, Tim Berner-Lee acha que ninguém sabe exactamente o que é a Web 2.0. Numa entrevista recente, feita para o Podcast da IBM, perguntaram-lhe se a Web 1.0 ligava computadores para tornar disponível a informação, enquanto que a Web 2.0 ligava pessoas e facilitava novas formas de colaboração. 

"De maneira nenhuma", respondeu. "A Web 1.0 era totalmente uma ligação entre pessoas. Era um espaço interactivo, e eu acho que a Web 2.0 é claramente um jargão, ninguém sabe realmente o que quer dizer. Se a Web 2.0 é blogues e wikis, então é de pessoas para pessoas. Mas era essa a intenção da Web desde o início."

Berner-Lee lembra que os novos recursos se basearam totalmente na tecnologia que já existia, mas reconhece que a vantagem dos blogues e wikis é que uma boa parte das funções técnicas já estão à partida resolvidas, deixando que as pessoas preocupem exclusivamente com o que vão escrever. "Mas acho que há ainda muito mais coisas como essas por vir, diferentes maneiras que permitam às pessoas trabalharem em conjunto."

É provável que esta discussão acabe por ficar para os historiadores de ciência e tecnologia, mas o que é certo é que a Net não pára. O constante crescimento da largura de banda disponível e o cada vez menor custo de armazenamento por Gb abre a possibilidade aos novos recursos que Berners-Lee fala. Quais serão? Clubes de vídeo online, sem dúvida (de facto já praticamente existem nos sites P2P, apesar das dúvidas em relação aos direitos de autor), fusão telefone/net - os telefones que usam a voz por IP, como o Skype, estão cada vez mais eficazes -; criação de milhares de emissoras de rádio e de TV amadoras, pela Net... E,, o mais importante, a multiplicação dos média alternativos. Será esse o caminho? A ver vamos.

 

A seguir, um pequeno glossário da Web 2.0 elaborado pelo jornal brasileiro Folha de S.Paulo

 

AdSense: Um plano de publicidade do Google que ajuda criadores de sites, entre os quais blogs, a ganhar dinheiro com seu trabalho. Tornou-se a mais importante fonte de receita para as empresas Web 2.0. Ao lado dos resultados de busca, o Google oferece anúncios relevantes para o conteúdo de um site, gerando receita para o site a cada vez que o anúncio for clicado.

 Ajax: Um pacote amplo de tecnologias usado a fim de criar aplicativos interactivos para a web. A Microsoft foi uma das primeiras empresas a explorar a tecnologia, mas a adopção da técnica pelo Google, para serviços como mapas on-line, mais recente e entusiástica, é que fez do Ajax (abreviação de "JavaScript e XML assíncrono") uma das ferramentas mais quentes entre os criadores de sites e serviços na web.

 Blogs: De baixo custo para publicação na web disponível para milhões de usuários, os blogs estão entre as primeiras ferramentas de Web 2.0 a serem usadas amplamente

 Mash-ups: Serviços criados pela combinação de dois diferentes aplicativos para a Internet. Por exemplo, misturar um site de mapas on-line com um serviço de anúncios de imóveis para apresentar um recurso unificado de localização de casas que estão à venda.

 RSS: Abreviação de "really simple syndication" [distribuição realmente simples], é uma maneira de distribuir informação por meio da Internet que se tornou uma poderosa combinação de tecnologias pull - com as quais o usuário da web solicita as informações que deseja  - e tecnologias push - com as quais informações são enviadas a um usuário automaticamente. O visitante de um site que funcione com RSS pode solicitar que as actualizações lhe sejam enviadas (processo conhecido como "assinando um feed"). O presidente do conselho da Microsoft, Bill Gates, classificou o sistema RSS como uma tecnologia essencial 18 meses atrás, e determinou que fosse incluída no software produzido por seu grupo

 Tagging [rotulação]: Uma versão Web 2.0 das listas de sites preferidos, oferecendo aos usuários uma maneira de vincular palavras-chaves a palavras ou imagens que consideram interessantes na Internet, ajudando a categorizá-las e a facilitar sua obtenção por outros usuários. O efeito colaborativo de muitos milhares de usuários é um dos pontos centrais de sites como o del.icio.us e o flickr.com. O uso on-line de tagging é classificado também como "folksonomy", já que cria uma distribuição classificada, ou taxonomia, de conteúdo na web, reforçando sua utilidade

 Wikis: Páginas comunitárias na Internet que podem ser alteradas por todos os usuários que têm direitos de acesso. Usadas na Internet pública, essas páginas comunitárias geraram fenómenos como a Wikipedia, que é uma enciclopédia on-line escrita por leitores. Usadas em empresas, as wikis estão se tornando uma maneira fácil de trocar ideias para um grupo de trabalhadores envolvido em um projecto.

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
tit_todosdosiers.png
© 2020 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.