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05-Jul-2006

nuno_ramosalmeida.jpgOs resultados do campeonato do mundo da bola são impressionantes: a Adidas está a ganhar 3 a 1 à Nike e a Grécia foi expulsa de todas as competições internacionais por um ano. No desporto, tirando a nossa patriótica excitação, os jogos têm sido feios. Mas nada disso tira brilho ao verdadeiro espectáculo.

O futebol é um negócio. Há uns anos, um dos padrinhos que mandava confessou orgulhoso: “o movimento financeiro do futebol no mundo alcança 225 biliões de dólares por ano”. Uma mina de ouro tão vultuosa convive mal com a transparência. Ao contrário dos negócios legítimos, o futebol não aceita tribunais. Nenhuma decisão dita desportiva pode ser levada à justiça, sob pena de os protagonistas serem excomungados da gamela. A omerta, a lei do silêncio, é a regra mais forte sobre o campo.

O jogo está habituado aos “apitos dourados” e aos escândalos de corrupção nas apostas em Itália: fazem parte das perdas aceitáveis. O que as instituições que mandam no futebol não toleram é a justiça e a democracia. Aquilo que aconteceu ao futebol grego parece ser um exemplo e um aviso: queira um governo enquadrar o futebol num plano desportivo mais vasto, eventualmente colocar os clubes na alçada da lei, e está liquidado. A FIFA e a UEFA contestaram uma lei do governo conservador, eleito da Grécia, colocando fora do campo todo o futebol helénico. A selecção campeã da Europa, os clubes e até os jogadores gregos estão proibidos de jogar nas competições europeias. Em Portugal, diz-se que os dois jogadores gregos do Benfica não vão poder alinhar nos jogos europeus. Está fora de questão dizer que essa medida viola a lei portuguesa e comunitária. O que interessa é que quem manda no futebol está acima de qualquer lei.

Uma vez, um jornalista do Times teve a desfaçatez de perguntar a João Havelange o que lhe dava mais prazer no futebol: “A glória? A beleza? A vitória? A poesia?”. Ele respondeu, como quem dá uma ordem: “a disciplina!” Está tudo explicado.

 
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