O Mundo em 2008: protestos sociais na Grécia abalam governo criar PDF versão para impressão
25-Dez-2008
A Grécia não assistia a uma revolta social desta envergadura desde há 20 anos. Foto LusaA morte de um jovem atingido por uma bala policial foi o rastilho para uma explosão social sem igual nos últimos 20 anos na Grécia. Os primeiros motins de jovens encapuzados contra a polícia deram lugar a manifestações estudantis e de trabalhadores a pedir a demissão do governo e a uma greve geral que paralisou o país.
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O assassinato a tiro pela polícia do jovem Andréas Grigoropoulos de 15 anos provocou uma imensa revolta juvenil na Grécia. Estudantes universitários e liceais entraram em greve e saíram à rua contra a violência policial, mas também contra a precariedade, a corrupção e o neoliberalismo que está na origem do desencanto e da falta de perspectivas desta geração. "Devolvam-nos o nosso futuro!" foi uma das palavras de ordem pintadas nas paredes de Atenas e outras cidades.

A reacção juvenil foi imediata, com as primeiras noites após o assassinato a ficarem marcadas por manifestações e violência entre polícias e jovens encapuzados, sobretudo membros das facções anarquistas mais activas nas escolas e universidades. Mas ao fim de vários dias, as manifestações passaram a ser organizadas de cara descoberta, com estudantes, professores e trabalhadores a aderirem às greves e ao protesto contra o governo conservador de Costas Karamanlis.

As manifestações passaram a dirigir-se para o parlamento, exigindo a demissão do governo, e várias estações de rádio foram ocupadas pelos estudantes. O mesmo aconteceu à emissora estatal de televisão, que se viu forçada a interromper uma comunicação do primeiro-ministro para ser lido em directo um comunicado dos jovens em luta.

A esquerda política grega tratou de forma diferente os maiores protestos sociais do país, com o KKE (o PC grego, neo-estalinista) a demarcar-se das manifestações espontâneas e a acusar o Syriza (Coligação da Esquerda Radical, que junta desde socialistas de esquerda aos grupos da esquerda anticapitalista) de encorajar os "desordeiros". Já o PASOK (Partido Socialista) primou pela ausência nas manifestações e reclama eleições antecipadas para aproveitar o desgaste do governo e regressar ao poder.

Ao fim de 18 dias de protestos ininterruptos, os estudantes de Atenas anunciaram o fim do "primeiro ciclo" da contestação nas vésperas do Natal, prometendo o regresso às ruas no dia 9 de Janeiro, logo após o regresso às aulas.

 


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A Grécia em revolta, de Stathis Kouvélakis

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