Congresso Karl Marx com 150 comunicações criar PDF versão para impressão
27-Dez-2008
O congresso Karl Marx contou com centenas de participantesA actualidade do pensamento marxista na presente conjuntura de crise do capitalismo global foi um dos temas que dominou o Congresso Internacional Karl Marx, realizado entre 14 e 16 de Novembro, e promovido pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, pela Cooperativa Culturas do Trabalho e Socialismo (Cutra) e pela Transform Europe (rede internacional de associações culturais).  


O congresso assinalou os 150 anos da publicação dos Grundrisse, Elementos fundamentais para a crítica da economia política - primeiro manuscrito,finalizado em 1858, do autor que no século XIX revolucionou as concepções económico-políticas e de filosofia da História.

A iniciativa mobilizou cerca de 150 oradores de Portugal, Brasil, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Áustria e Noruega, especialistas em diversas áreas científicas, com o objectivo de "revisitar o pensamento marxista", como referiu Fernando Rosas, director do Instituto de História Contemporânea e dirigente do Bloco de Esquerda.

Entre os principais intervenientes no congresso estiveram especialistas ligados ao marxismo francês, ao neo-marxismo e, no caso do panorama político nacional, "gente ligada à esquerda do PS, ao Bloco de Esquerda e ao PCP", segundo caracterizou o historiador.

"A linha global dos participantes no congresso está no campo que se reconhece na actualidade do pensamento marxista, mas abarcando diferentes sensibilidades", declarou por ocasião da abertura do congresso, momento em que evocou a memória de João Martins Pereira, economista e intelectual da esquerda portuguesa, falecido na véspera.

Agendado antes de ter rebentado a crise nos mercados financeiros internacionais, o encontro "ganhou novo fôlego e actualidade", tendo em conta a crítica de Marx ao capitalismo internacional, aos seus ciclos e suas crises. A pertinência das abordagens marxistas sobre actual conjuntura económica, justificará por isso que os trabalhos tenham sido alargados de dois para três dias, face ao número inesperado de comunicações apresentadas, cerca de 200, distribuídas por 48 painéis temáticos.

O congresso permitiu a abordagem de uma grande diversidade de temas, desde as questões ligadas à crise económica internacional ou aos movimentos dos trabalhadores, até aos direitos das mulheres, às culturas populares, à produção cultural ou o direito à cidade e ao espaço público.

A diversidade de intervenções foi bem patente, como são exemplos o debate com o deputado do Bloco e economista Francisco Louçã, o economista brasileiro Jorge Grespan, e o economista alemão Jorg Huffschmid, sobre a crise económica actual, ou a intervenção do sociólogo brasileiro Ricardo Antunes, sobre a actualidade do pensamento marxista, as transformações actuais nas relações laborais e os novos desafios dos movimentos sindicais, ou a comunicação da investigadora Esther Leslie, do Birkbeck College da Universidade de Londres, sobre as relações entre a natureza, a tecnologia e o homem, intitulada "Reciclando ideias: estética e política", ou ainda a apresentação da investigadora Manuela Tavares sobre "Feminismo(s) e Marxismo: um casamento "mal sucedido"? Os novos desafios para uma corrente política de esquerda dos feminismos".

A representatividade das várias correntes que se afirmam de herança marxista e a heterogeneidade do público, caracterizaram o congresso, onde não houve preocupação de "tirar conclusões". "Trata-se antes de um debate fundador de muitos outros debates que se hão-de seguir", salientou Fernando Rosas.

Prometida para 2010 ficou uma nova edição do Congresso Karl Marx.

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