Cavaco Silva: ontem e hoje criar PDF versão para impressão
29-Nov-2008
João Teixeira LopesA propósito de uma campanha contra a pobreza, Cavaco Silva surpreendera ao reduzir o combate ao flagelo com a apologia da filantropia e da responsabilidade social das empresas, uma espécie de caixa de esmolas em tamanho grande para comover os portugueses. Contudo, em visita à Madeira, Maria Cavaco Silva teve o desplante de afiançar aos jornalistas que lá não havia miséria!

Entretanto, o Presidente da República veta por duas vezes o estatuto político-administrativo dos Açores devido a minudências que, no seu entender, beliscavam o seu poder. Mas, na mais grave crise da democracia madeirense, perante a exibição despótica dos tiranetes da região, nem uma palavra. Uma vez mais, a cumplicidade activa com um regime que em nada deve a muitos simulacros de democracia por esse mundo fora e onde a degenerescência política se alia à degradação ética e moral. Poder-se-á sempre dizer que não se trata de uma novidade, uma vez que Jorge Sampaio contemplou, igualmente, com os desvarios de Jardim. Mas, desta feita, um novo pico de absurdo e desvario foi alcançado.

Noutra frente, perante o escândalo de corrupção do BPN, Cavaco respalda Dias Loureiro e, em pleno tique autoritário, emite uma "nota oficiosa" que não poderia querer alcançar outro efeito que não fosse o de inibir futuras notícias sobre o círculo íntimo de Belém e da numerosa corte do cavaquismo. Impossível, nesta altura, não nos lembrarmos das maiorias absolutas do PSD e da arrogância e repressão que então grassava no país.

A todos os jovens que não conheceram Cavaco Silva no esplendor do seu poder quase absoluto (talvez por isso ele não se escandalize com o que se passa na Madeira, tirando, eventualmente, alguma aversão ao estilo boçal do autocrata regional...) e a todos os portugueses que sofrem de amnésia, relembro que o Senhor Presidente não é um avozinho na pré-reforma, mas sim um dos principais responsáveis pelo estado actual das coisas. Sob o seu manto, a corrupção, o clientelismo e o nepotismo floresceram, amparando uma elite de governantes e empresários parasitária do Estado.

Impõe-se, por isso, como o Bloco tem feito, o dever de falar. E de apontar, entre outros casos, o de Oliveira e Costa que, ao que se sabe, doou 15 mil euros à campanha presidencial de Cavaco Silva, uma pequena parte dos cerca de 100 mil euros oferecidos por vários dirigentes do BPN. Se fosse outro, Cavaco Silva devolveria hoje mesmo esse dinheiro. Mas ninguém muda assim tanto.

João Teixeira Lopes

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