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01-Dez-2008

Bruno MaiaVivemos há 4 anos em maioria absoluta. 4 anos que nos demonstram o que pode uma maioria absoluta fazer a um governo, a um país. A lógica da governabilidade sem concessões ou alianças pode, na óptica de alguns, servir alguns interesses. Segundo Manuela Ferreira Leite serve para "pôr tudo na ordem". Para Sócrates serve para aplicar políticas que os consensos e as concertações nunca permitiriam. O governo da maioria, para além de despojar a direita de qualquer significado político, apoderou-se de uma das suas piores características: o autoritarismo. Este autoritarismo foi-se expressando ao longo do mandato em casos particulares (a polícia a revistar sedes de sindicatos...), em questões mais públicas mas a seu tempo contidas (o fecho das urgências contra as populações) e assume a sua forma mais arrogante, mais descarada e mais inaceitável com a ministra da educação e a sua teimosia em governar contra a escola!

Mas com Sócrates este autoritarismo assume uma característica mais avançada: a de ideologia. É através da ideologia dominante que Sócrates governa contra as populações. Propagandeia o "medo" dos professores em serem avaliados; propagandeia os "privilégios" dos funcionários públicos, para lhos retirar; propagandeia o "fim dos recibos verdes" para justificar o despedimento sem justa causa! Já sabemos que José Sócrates é um profissional do marketing político: vende o computador magalhães em cimeiras internacionais, estreia o teleponto no comício político, distribui computadores às crianças para a fotografia do jornalista, para logo deixar a criança sem brinquedo! E é o refúgio do marketing político profissional, que lhe permite encobrir o autoritarismo do seu governo. Basta observar o primeiro-ministro nos seus debates quinzenais na AR: não é capaz nunca, de responder às perguntas que se lhe colocam, limita-se a repetir vezes sem conta (para as câmaras e os microfones...) as mesmas acusações à sua esquerda e à sua direita - sem nada de novo!

Mas este autoritarismo da política não tem, ao contrário de muitas ditaduras da história, a finalidade da auto-defesa e da perpetuação do poder. Tem sim, o objectivo de defender as elites económicas do país, atacando direitos sociais, restringindo a despesa pública a fundos de segurança para a banca privada. Sócrates não negoceia com os parceiros sociais, não responde à oposição e vende magalhães na televisão. Será esta a marca deste governo - marketing sem fundamento político na auto-promoção e autoritarismo na execução da política.

Na semana em que o PS aprovou sozinho o orçamento de estado, Sócrates irritou-se com o novo encontro das esquerdas - tem graça como a convergência das esquerdas irrita tanto quem tem sempre um "sectário" na boca para distribuir à sua esquerda - e tem razão para isso! A convergência é a arma mais poderosa que a esquerda possui contra este autoritarismo ideologizado e será nela que o futuro a constituirá como alternativa de poder a este forma déspota que a maioria tem de governar.

Nota: Não queria deixar passar esta oportunidade sem fazer uma referência aos prémios precariedade 2008. Numa altura em que se torna difícil competir com a propaganda profissional do governo de Sócrates, os Precários Inflexíveis vêem mostrar que o desejo de transformar a vida encontra sempre as formas mais imaginativas, plurais e combativas de derrubar um poder que só se quer a si mesmo.

Bruno Maia

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