A greve de amanhã criar PDF versão para impressão
02-Dez-2008

"E dentro da tarde mansa.

Agigantou-se a razão". (Vinicius de Morais)

A greve de amanhã será, tenho a certeza, um dia em que os professores e professoras deste país irão escrever mais uma página da história duma resistência e unidade sem paralelo nos últimos anos em Portugal.

Nunca, um sector profissional demonstrou tanta capacidade de luta, utilizando tantas cores, modelos e feitios.

E, por mais esforços que, os veteranos e a "J" do PS façam, para apoiar Maria de Lurdes Rodrigues não chegarão certamente para segurar uma ministra em apuros, dum governo cuja agenda anti-sindical e anti-social torpedeou pela direita toda a dita "tradição social-democrata".

Á chantagem da ausência de direitos geradora de medo, o governo juntou uma enorme pressão sobre os professores, ganhando até sectores da população contra eles/as, acusando-os de não quererem ser avaliados/as e de serem corporativistas.

Mas tanta foi a pressão que estes explodiram. É verdade que o comité central ainda não tinha decidido a revolta e, a correia de transmissão tendia a gripar, mas não obstante tal facto, ela aconteceu e, choveram SMS, e manifestações espontâneas, grandes e mais pequenas, com os coloridos improvisados numa energia que permitiu reganhar a confiança da razão, e que claramente se agigantou.

A agenda das vontades de revolta superou todos os calendários e, desde os conselhos executivos mais ou menos fieis ao governo, aos argumentos mais esquizofrénicos, a verdade é que, primeiro de mansinho e depois duma forma mais explicita todos/as foram decidindo suspender a maldita "avaliação do desempenho" que afinal não é mais do que a promoção da incapacidade de empenho que todos eles e elas querem ter enquanto Professores de corpo inteiro.

A agenda das vontades de revolta demonstrou que é possível juntar tudo e todos. Desde os mais jovens precários que ensinam inglês quase a custo zero, aos mais velhos titulares ou não, aos sindicalizados e não sindicalizados, da CGTP ou da UGT, aos católicos, protestantes, agnósticos ou ateus, aos com partido ou sem partido.

É esta agenda que demonstra que é possível ultrapassar a insuficiente participação de cidadania em que vivemos e transformá-la em oposição clara ás politicas neoliberais que nos esmagam. Porque não tem que ser assim...

Mariana Aiveca

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