O PSD, a Direita e a Ética criar PDF versão para impressão
19-Dez-2008
Natasha NunesA liderança de Manuela Ferreira Leite tem sido um fracasso. Depois de meses de silêncio, que a direcção do PSD afirmava ser estratégico, os portugueses antecipavam as palavras da Dama de Ferro da direita, na expectativa de que algum contributo pudesse ser dado em termos de reorientação da estratégia económica do país.

Ferreira Leite contestou duas medidas do governo: as obras públicas agendadas, porque sinónimo de maior endividamento externo e o crédito às PME's, porque insuficiente para dar novo fôlego ao tecido empresarial. De resto, aplaudiu Sócrates, nos seus intuitos e práticas, atestando que o PSD, acaso estivesse no poder, teria consumado mais ou menos o mesmo.

Então o problema do PSD é essa dor de cotovelo de Sócrates: o Primeiro-Ministro tem vindo a fazer o mesmo que o PSD gostaria de estar a fazer, só que com mais eficiência. A experiência da Manuela Ferreira Leite em assuntos financeiros e orçamentais ao lado da pro-actividade de Sócrates em termos de controlo direccionado da despesa pública não vale grande coisa.

Restava ao PSD a questão ética. Que com o anúncio da candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa veio por água abaixo. Desde que está à frente da direcção do PSD que Manuela Ferreira Leite tem declarado que o seu tempo é o tempo do rigor, da probidade e da virtude. Depois da inépcia de Marques Mendes e do alvoroço mediático de Felipe Menezes, o seu mandato seria o advento do neocavaquismo. Uma espécie de retorno às origens. Então o problema do PSD é também que, por muito que Manuela Ferreira Leite se apresente como conservadora, insípida e esfíngica, ela mesmo assim não chega a representar a natureza intrínseca do partido que lidera. Porque a essência e o âmago são, na verdade, o dinheiro e o poder. Quando o dinheiro e o poder estão amestrados pelo PS ao PSD não sobeja mais nada.

Ou melhor, sobra Pedro Santana Lopes. Serão, com certeza, meses de regozijo para os comediantes, que terão matéria inesgotável para escarnecer, mas serão também meses de descrédito para a direita. Quando um dos seus últimos trunfos é a política do espectáculo e da performance de Santana Lopes, o PSD reitera que não tem nada a dar ao país. E pronuncia que a capacidade de regeneração do campo político nacional, essa capacidade de gerar discussão, confronto e conflito, caracteres imprescindíveis ao pulsar de uma sociedade democrática, só pode vir das esquerdas.

Natasha Nunes

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