UE: líderes, truques e ilusões criar PDF versão para impressão
28-Dez-2008
João SemedoO ano aproxima-se do fim. Como sempre, não faltarão balanços sobre tudo e mais alguma coisa. Como se a mudança de ano, milagrosamente, pudesse descontinuar alguma coisa que não as páginas do calendário. E muito menos, o rumo da política. Se quiserem, das políticas.

Para os líderes europeus, 2008 foi um ano horrível. Tudo correu mal. Passou apenas um ano mas a festa, o champanhe e os confetti do final da presidência portuguesa já vão bem longe. O "porreiro pá" de Sócrates acabou-se depressa, abafado pelo estrondoso NÃO dos irlandeses ao Tratado de Lisboa.

Foi o primeiro revés de 2008. Depois, chegou em força a crise dos mercados financeiros e, com ela, a recessão económica, o desemprego e a crise social. E, finalmente, já perto do final do ano, até o Parlamento Europeu se atreveu a rejeitar a proposta da comissão e do conselho europeus para prolongar até às 65h semanais o horário de trabalho nos países da União Europeia.

O governo português, embalado pelo código do trabalho que quer impor aos portugueses, absteve-se. Dias depois, Luís Amado explicava-se no Parlamento dizendo que, nas instâncias europeias, abster-se ou votar contra é a mesma coisa...Tal governo, tal ministro: sem ponta de vergonha!

2008, um ano horrível para a elite política europeia. É caso para dizer que tiveram o que mereceram. De facto, não mereciam melhor porque persistem no recurso ao truque, à demagogia e à ilusão como instrumentos para resolver problemas políticos e ultrapassar a resistência levantada por milhões de europeus à sua política.

Truques para ladear o não irlandês, pressionar um novo referendo e, finalmente, conseguir que o Tratado de Lisboa entre em vigor. Que outro nome podem ter as decisões do último Conselho Europeu, prometendo aos irlandeses aquilo que não foi permitido a mais nenhum povo?

Demagogia e ilusão para fazer frente à recessão económica e ao crescimento do desemprego e da crise social na União Europeia. Que outro nome pode ter o plano de relançamento da economia europeia aprovado no último conselho europeu - 200 mil milhões de euros dos quais só 15% são financiados pelo BCE - na realidade, uma mão cheia de nada que deixa os países mais frágeis e com maiores dificuldades entregues a si próprios?

Líderes destes não mereciam melhor. Os europeus é que mereciam outros e melhores governantes, lideranças capazes de vencer a crise económica, de promover o emprego e a coesão social e de governar ouvindo e respeitando a vontade dos cidadãos dos seus países.

Infelizmente, a mudança de ano não muda as lideranças europeias nem as suas políticas. Mas também não muda a disposição dos trabalhadores europeus para lutar por um novo rumo na política europeia.

João Semedo

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