Trabalhadores da ENU: A luta sairá de novo à rua! criar PDF versão para impressão
01-Jan-2009
Mariana AivecaEm 7 de Março deste ano, antigos mineiros da ENU e suas famílias vieram a Lisboa assistir ao debate na AR.
Na bagagem cabiam todos os dramas de vida, a garra de quem incessantemente tem lutado por exigir do Estado a assunção das suas responsabilidades, e, quiçá a remota esperança que os "senhores da assembleia" pudessem finalmente nesse dia, aprovar uma lei que repusesse a justiça que durante anos têm vindo a reclamar.

Mas rapidamente essa remota esperança se esfumou quando, pela voz de uma deputada do PS ouviram dizer: "Essas excepcionais razões conjunturais foram, no caso vertente, a difícil situação económica e financeira da ENU, que levou à dissolução da empresa, associada à crise do sector mineiro, colocando os seus trabalhadores numa situação laboral difícil devido à falta de horizontes profissionais, quer no sector mineiro quer no marcado de trabalho em geral.

Estas foram, aliás, as razões que levaram os anteriores governos do PSD/CDS a limitar o âmbito de aplicação pessoal do Decreto-Lei n.º 28/2005 aos trabalhadores que se encontravam ao serviço da ENU à data da sua dissolução - não o risco e a penosidade associadas ao exercício da actividade mineira, como invocam os autores dos projectos de lei hoje em apreciação -", ...(DAR Iª série nº 57/X/3 - 2008.03.08).

No final do debate estive com eles/as à porta do Parlamento.

Nos seus rostos era visível a desilusão perante a insensibilidade com que foram tratados/as.

Nem uma só palavra de gratidão e reconhecimento por parte do partido do governo, a quem tudo deu à mina e à sua terra, nem uma só palavra de solidariedade com os dramas dos homens mulheres e crianças que, precocemente têm morrido de cancro devido à exposição ao urânio.

Mas também era visível a determinação de não se conformarem com as decisões, e, logo ali nos disseram que a " A mina encerrou. Mas a LUTA não encerra aqui".

Foi com grande emoção que os/as vi hoje, no telejornal num jantar convívio a dizerem-nos: "Vamos mostrar ao país que estamos vivos".

Foi com grande alegria que vi um deputado do Bloco de Esquerda ao seu lado, a exigir um grito enorme de respeito, pela dignidade das pessoas.

Por isso, o projecto-lei está feito. A discussão terá que ser feita. A votação tem que ser a favor.

Apoiar e comprometer-se com esta luta é uma obrigação do Bloco de Esquerda. Estaremos lá.

Mariana Aiveca

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